Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
O ex-presidente negou no Senado qualquer envolvimento no resgate da Plus Ultra, mas o juiz está convencido de que ele exerceu influência
MADRID, 24 maio (EUROPA PRESS) -
O Governo atribui a máxima importância ao depoimento do ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero perante o juiz da Audiencia Nacional José Luis Calama para responder às suspeitas de que liderou uma organização criminosa de tráfico de influências e espera que ele possa se defender e explicar a legalidade de suas atividades.
Em Moncloa, aguardam que Zapatero compareça perante o juiz e confiam de que suas explicações sirvam para refutar todas as “indiciências” contra ele, segundo informam fontes governamentais, que estão encontrando dificuldades para sustentar sua defesa.
O próprio ex-presidente publicou um vídeo no dia de sua acusação, no qual negou os fatos, mas ao longo de toda esta semana têm sido o governo e o PSOE, incluindo o presidente Pedro Sánchez em pessoa, os responsáveis por apoiá-lo.
A tarefa não é fácil diante de um auto de acusação “grave” — como admitem no Executivo — que descreve supostos crimes muito graves e se baseia em uma investigação de vários meses conduzida por um juiz com fama de meticuloso.
No governo, admitem que essa investigação não tem nada a ver com outras que afetam o círculo do governo, como a do irmão do presidente, David Sánchez, e especialmente com as investigações do juiz Juan Carlos Peinado contra Begoña Gómez, esposa do chefe do Executivo, que representam “uma aberração jurídica” para um membro do Conselho de Ministros.
VÃO DEFENDÊ-LO ATÉ QUE HAVERÁ PROVAS
Quando se referem a essas investigações, tanto Sánchez quanto seus ministros dão como certo que “não há caso” e apontam que o tempo colocará as coisas em seus devidos lugares, mas, ao defender Zapatero, tomam mais precauções. Eles reivindicam seu legado, acreditam que ele é inocente e uma pessoa “honrada” e continuarão a apoiá-lo, é claro, até que surjam provas contra ele.
Esse é o principal argumento que os socialistas esgrimem para apoiá-lo. O auto apresenta indícios e o juiz se esforçou para fundamentá-los, mas não há provas conclusivas contra ele. Não há mensagens, áudios ou imagens que o incriminem, mas sim depoimentos de terceiros que aludem a supostos comportamentos irregulares.
De qualquer forma, o processo acaba de começar e as provas podem surgir mais adiante. Especificamente, no Governo há grande interesse em conhecer os detalhes do relatório da UDEF que motivou a primeira decisão do juiz Calama, mas a sensação é de certa ansiedade diante do que está por vir. “Não sabemos o que há por trás disso”, afirma um ministro, admitindo que conhecem apenas uma parte de uma investigação que pode ser muito mais profunda.
ESPERAM QUE ELE SE DEFENDA COMO NO SENADO
Zapatero está intimado para comparecer na terça-feira, 2 de junho, como indiciado por supostos crimes de tráfico de influências, organização criminosa e falsificação de documentos no “caso Plus Ultra”, e o juiz o coloca no topo de uma trama para obter benefício econômico valendo-se de seus contatos com altos cargos.
Calama estima em dois milhões de euros o montante obtido em comissões e o responsabiliza pela criação de uma “estrutura societária e financeira internacional, indiciariamente concebida para canalizar fundos de origem ilícita”.
O ex-presidente já deu suas primeiras explicações públicas no último dia 2 de março no Senado, onde foi chamado a comparecer após a prisão de seu amigo Julio Martínez Martínez, fundador da empresa Análisis Relevante, que efetuou pagamentos a Zapatero e à empresa de suas filhas. O governo espera que sua defesa perante o juiz siga a mesma linha que apresentou aos senadores, segundo indicam fontes governamentais.
O JUIZ ACREDITA QUE ELE INFLUENCIOU O RESGATE E ZAPATERO NEGA
Na Câmara Alta, Zapatero negou qualquer tipo de “relação” com o resgate de 53 milhões de dinheiro público para a companhia aérea ‘Plus Ultra’ e garantiu que nunca falou sobre esse assunto com Pedro Sánchez nem com nenhum membro do Executivo.
Sobre se conhece o presidente da Plus Ultra, Julio Martínez Sola, explicou que pode ter cumprimentado o senhor em alguma ocasião, pois faz isso com “milhares de pessoas”, mas garantiu que nunca teve “nenhuma comunicação nem reunião com ele”.
“Nunca tive qualquer tipo de relação com a Plus Ultra, nem ninguém jamais me pediu nada em nome da Plus Ultra”, proclamou Zapatero em várias ocasiões.
Essa declaração contrasta com as conclusões a que chegou o juiz Calama, que considera que os diretores da Plus Ultra tentaram obter o resgate concedido pela Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) por meios alheios à legalidade.
Calama suspeita que foram articuladas duas linhas de influência distintas: uma por meio do então ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, e outra por meio de Zapatero, e que teriam operado simultaneamente, mas a do ex-presidente teria adquirido um “papel predominante” e permitido que a companhia aérea alcançasse seus objetivos.
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