Publicado 08/05/2026 06:24

O governo afirma que os espanhóis a bordo estão cooperando, mas há “medidas legais” caso se recusem a ficar em isolamento

O secretário de Justiça do PSOE e ministro da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, atende à imprensa durante uma visita às instalações da Escola Agrária em Vícar (Almería). 7 de maio de 2026, em Vícar, Almería
Marian León - Europa Press

Ele culpa a oposição no Congresso pelo atraso da agência de Saúde Pública, que “certamente” já estaria em funcionamento hoje

MADRID, 8 maio (EUROPA PRESS) -

O ministro da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, garantiu que os espanhóis a bordo do cruzeiro “MV Hondius”, no qual se registrou um surto de hantavírus, estão colaborando com as autoridades espanholas, embora tenha lembrado que o Governo dispõe de “ferramentas legais” para garantir a saúde pública caso recusem o isolamento preventivo no Hospital Central da Defesa Gómez Ulla.

Em entrevista à 'Antena 3', divulgada pela Europa Press, o ministro sinalizou que está em contato tanto com os 14 passageiros espanhóis do cruzeiro, que chegarão entre a madrugada de sábado e a manhã de domingo ao porto de Granadilla (Tenerife), quanto com suas famílias. "Eles estão sendo muito cooperativos, muito prestativos", indicou Bolaños.

O ministro também se pronunciou sobre o caso de algum desses pacientes não querer passar a quarentena no hospital de Madri. Segundo explicou, o Estado dispõe de “instrumentos legais mais do que suficientes”, citando a Lei Orgânica 3/1986, que servem para “promover e garantir a saúde pública”.

“Logicamente, se não houvesse colaboração por parte dessas pessoas, obviamente haveria instrumentos legais para que esse isolamento e essa quarentena pudessem ser realizados. Estamos falando de uma questão de saúde pública”, advertiu o titular da Presidência, ao mesmo tempo em que ressaltou que os protocolos seguidos foram consensualmente estabelecidos em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em coordenação com o Centro Europeu de Prevenção de Doenças.

O ministro também observou que a operação de evacuação dos passageiros do cruzeiro “não deve se prolongar muito” e, assim que atracarem no porto das Canárias, será realizada a triagem no próprio navio. Assim, ele confirmou que o Governo mantém conversações com os países de origem para que seus cidadãos possam ser evacuados.

APOIO A GARCÍA E COORDENAÇÃO COM AS CANÁRIAS

Após os protestos do presidente das Canárias, Fernando Clavijo, exigindo que o cruzeiro chegasse a Cabo Verde e não às ilhas, Bolaños lembrou que essa foi uma decisão tomada pela OMS, que valorizou o sistema de saúde espanhol para conduzir a evacuação “com todas as garantias e segurança”. “A decisão é da OMS e a Espanha é membro”, enfatizou.

Sobre a denúncia de falta de coordenação com o governo das Canárias nesta crise sanitária, Bolaños indicou que houve conversas “desde o início” e que, apesar de certas “discrepâncias” iniciais, as posições se aproximaram por meio do diálogo. “Agora estamos totalmente coordenados para realizar a operação assim que o navio chegar às costas espanholas”, acrescentou.

Dito isso, ele defendeu a ministra da Saúde, de quem disse que “está fazendo um bom trabalho” e que conversou “com as pessoas competentes” nas Canárias, tanto com o presidente quanto com a secretária de Estado responsável pelo setor.

Nesse contexto, ele fez um apelo à calma e à tranquilidade da população. “Temos todos os meios materiais, humanos, técnicos e científicos para realizar a avaliação e, posteriormente, o tratamento das pessoas nesse navio”, enfatizou Bolaños, que também lembrou que a OMS parabenizou a Espanha por dispor dos meios para realizar essa operação.

CULPA A OPOSIÇÃO PELO ATRASO DA AGÊNCIA DE SAÚDE PÚBLICA

Por outro lado, o ministro culpou a oposição pelo atraso na entrada em funcionamento da Agência de Saúde Pública, uma das promessas do Executivo após a pandemia de covid para enfrentar emergências sanitárias. Assim, ele ressaltou que ficou claro que esse novo órgão não invadiria competências, como reclamavam Junts ou o PNV. “Os vírus não entendem de fronteiras”, acrescentou.

Ele lembrou que se chegou à conclusão da necessidade de criar uma agência de Saúde Pública “após um processo de diálogo” durante a pandemia de 2020. No entanto, ele criticou o fato de que partidos “da direita”, como o PP e o Vox, votaram contra quando a proposta foi levada ao Congresso, o que atrasou sua criação. “Certamente hoje ela já estaria em funcionamento”, garantiu.

“Uma agência de Saúde Pública capaz de reunir todo o conhecimento científico e coordenar as diferentes administrações de saúde é uma ótima ideia para o nosso país”, afirmou o ministro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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