ALICANTE, 26 ago. (EUROPA PRESS) -
Agentes da Polícia Nacional prenderam em Alicante um homem de 45 anos como suposto autor de simulação de crime e apropriação indébita, após alegar ter sido vítima de um assalto à mão armada no escritório da empresa da qual era gerente, cometido por um homem que supostamente o teria ameaçado com uma arma branca e agredido para se apropriar do dinheiro do cofre, no valor de 6.500 euros. A investigação policial revelou que esses fatos não tinham fundamento.
A investigação teve início a partir da denúncia do gerente de uma empresa nacional, que afirmou ter sido assaltado por um homem logo pela manhã, o qual supostamente entrou no galpão da empresa e o ameaçou com um objeto perfurante para que ele entregasse o dinheiro do cofre, conforme informou a Polícia Nacional em um comunicado.
O denunciante afirmou que, ao se opor à exigência do suposto assaltante, este lhe desferiu entre quatro e cinco facadas no abdômen com o objeto perfurante e lhe deu uma pancada na cabeça, deixando-o atordoado.
Nesse momento, de acordo com a denúncia do gerente, o suposto autor entrou em seu escritório e retirou do cofre, cuja porta estava entreaberta, um envelope contendo cerca de 6.500 euros em dinheiro.
Após o suposto roubo, o denunciante afirmou que, assim que se recuperou, pediu ajuda a um estabelecimento próximo, de onde foi dado o alarme aos serviços de emergência. Ao local compareceram agentes da Polícia Nacional e equipes de atendimento médico, que prestaram os primeiros socorros. Posteriormente, ele foi atendido em um hospital.
Assim foram os fatos relatados pelo denunciante após o suposto ocorrido, cuja investigação ficou a cargo dos agentes da Delegacia do Distrito Central de Alicante da Polícia Nacional.
“CONTRADIÇÕES”
No entanto, os policiais encontraram “inúmeras contradições” entre a versão relatada e as evidências encontradas após as investigações realizadas.
Dessa forma, descobriram que, apenas dois meses antes, havia ocorrido na empresa um furto por descuido de um valor significativo, 2.450 euros, de propriedade da empresa e que estavam depositados em um cofre que se encontrava em um escritório. Ao mesmo tempo, constatou-se que esse fato também teria ocorrido na presença do denunciante, segundo a Polícia Nacional.
Esse suposto fato anterior havia ocorrido poucos dias após a contratação do gerente, que, segundo o responsável nacional da empresa, acumulou de forma excepcional na empresa uma quantia “incomum” de dinheiro em espécie; mais especificamente, aquele que posteriormente foi roubado à força, apesar de a política da empresa ser “relutante” a esse respeito, para prevenir “situações de risco” como a que constava na denúncia.
Por outro lado, o denunciante afirmou que os fatos ocorreram pouco depois das 6h. Essa declaração chamou a atenção dos investigadores, já que “ele nunca havia registrado sua entrada tão cedo”. Segundo a Polícia Nacional, de modo geral, o horário habitual de início de seu turno de trabalho situava-se entre 07h00 e 08h00, embora não houvesse horário fixo.
Da mesma forma, foi avaliada a gravidade dos ferimentos apresentados pelo denunciante e constantes do atestado médico fornecido, os quais eram superficiais e compatíveis com uma lesão autoinfligida.
PRISÃO
Por fim, após analisar esses indícios e outros mais, juntamente com outras contradições encontradas, os policiais concluíram que os fatos denunciados pelo responsável pela empresa “não correspondiam à realidade”, mas que, ao contrário, teriam sido supostamente encenados pelo próprio denunciante para se apropriar dos 6.500 euros em dinheiro que, de forma “excepcional”, estavam depositados no cofre da empresa.
Por esse motivo, os investigadores tomaram as medidas necessárias para localizá-lo e detê-lo como suposto responsável pelos fatos investigados, tendo todo o inquérito sido encaminhado aos tribunais de Alicante.
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