Europa Press/Contacto/Sergei Karpukhin
MADRID 17 ago. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, exigiu nesta segunda-feira ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, o fim do recrutamento ilegal de jovens ganenses para combater na frente de batalha na Ucrânia.
“Em nosso encontro bilateral, abordei a questão dos jovens ganenses que estão sendo recrutados para a guerra na Ucrânia. Estamos observando um aumento no número de baixas, com 62 mortos e outros 15 desaparecidos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Gana em coletiva de imprensa ao lado de Lavrov, após ressaltar que sai de Moscou com o compromisso de trabalhar em conjunto contra o recrutamento “ilegal”.
Okudzeto Ablakwa destacou que essa prática ocorre às escondidas de ambos os governos e é um assunto que preocupa a sociedade ganesa. “Recebi uma resposta muito encorajadora do ministro Lavrov e continuaremos trabalhando juntos contra esses canais ilegais”, enfatizou.
Esse foi o ponto mais crítico levantado pelo ministro das Relações Exteriores de Gana em relação ao seu homólogo russo, em uma coletiva de imprensa na qual ele valorizou o papel de Moscou para “estabilizar a situação na região do Sahel”.
Segundo ele, a situação deve ser liderada pelas nações africanas, mas é necessário o apoio de atores internacionais aos quais se solicita ajuda. “Está claro que precisamos de parceiros internacionais diante do que consideramos o epicentro do terrorismo global. Não podemos nos concentrar apenas em alguns países; por isso, agradecemos a contribuição da Rússia e do Africa Corps para auxiliar em uma estratégia liderada pela África”, enfatizou ele sobre o papel da Rússia em países como Burkina Faso, Mali ou Níger, todos liderados por juntas militares surgidas de golpes de Estado.
Nesse sentido, o ministro das Relações Exteriores do Gana ressaltou que o continente não vê a Rússia como um ator que interfere, mas sim como um “parceiro importante que foi convidado e ajuda a resolver a situação”.
O fim do recrutamento de africanos no contexto da guerra é uma questão que vários países do continente têm exigido em seus contatos bilaterais com a Rússia.
Em março passado, Nairóbi e Moscou concordaram em pôr fim ao recrutamento de cidadãos quenianos para combater na guerra da Ucrânia, depois que o Quênia estimou em mais de 1.000 o número de cidadãos que viajaram para a Rússia sob a promessa de obter contratos bem remunerados e que acabaram se envolvendo no conflito.
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