Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
MADRID 18 ago. (EUROPA PRESS) -
A vice-secretária de Regeneração Institucional do PP, Cuca Gamarra, afirmou que ainda não foi restabelecida a “normalidade” em Ceuta, e exigiu do Ministério do Interior um “esforço” para que os agentes das Forças e Corpos de Segurança do Estado (FCSE) destacados para a cidade autônoma possam trabalhar “em condições dignas”.
“Essa normalidade de que se fala não existe, não foi restabelecida”, afirmou Gamarra nesta terça-feira em declarações à imprensa ao lado do presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas; alegando ter visto “em primeira mão” que as liberdades e os direitos dos ceutianos “não estão garantidos” e que, portanto, o “principal objetivo” deve ser “recuperá-los”.
A vice-secretária do Partido Popular reiterou que pôde constatar a ausência de “direitos garantidos” entre a população de Ceuta após passear pela cidade autônoma e visitar alguns locais, como a Praia do Trampolín, o Bairro do Príncipe Alfonso ou a fronteira.
“Quando há uma mulher que não ousa andar pela rua, quando um pai de família decide que é melhor ficar em casa ou quando se decide que, a partir de determinada hora, é preciso voltar para casa, evidentemente as liberdades e os direitos dos ceutianos não estão plenamente garantidos hoje”, lamentou.
“TUDO É POSSÍVEL, SE HOUVER VONTADE POLÍTICA”
Diante disso, Gamarra solicitou ao departamento dirigido pelo ministro Fernando Grande-Marlaska um “esforço” para “garantir” que os agentes destacados para Ceuta possam trabalhar “em condições dignas”. “Quero pedir que se trabalhe para garantir as condições em que vivem hoje aqui os policiais e os guardas civis que vieram da Península para trabalhar e servir”, acrescentou.
“É preciso que o Ministério do Interior faça um esforço para que eles possam trabalhar em condições dignas, e com certeza isso é possível, tudo é possível se houver vontade política”, afirmou, reivindicando assim “garantias” e “direitos” para que os agentes “possam trabalhar e exercer suas funções e responsabilidades com dignidade”.
AS FORÇAS E CORPORAÇÕES DE SEGURANÇA DO ESTADO “NÃO FALHARAM”
A vice-secretária do Partido Popular defendeu — após se reunir ao meio-dia de hoje em Ceuta com representantes de associações e sindicatos da Guarda Civil e da Polícia Nacional — que essas organizações sindicais “não falharam”. Nesse sentido, ela agradeceu a Vivas por seu “compromisso”, a quem qualificou como “o símbolo do que significa estar 24 horas por dia, sete dias por semana, a serviço de Ceuta e a serviço da Espanha”.
“Se houve algo por parte do governo de Ceuta desde o primeiro minuto, foi total colaboração, uma colaboração total que chegou a ser feita sozinha, pois durante muitos dias a cidade de Ceuta esteve absolutamente sozinha”, criticou ela, classificando como “o cúmulo” o fato de que, em sua opinião, o Executivo central acuse o governo regional de “falta de colaboração”.
“Isso é acusar os próprios ceutianos de falta de compromisso, e isso não é verdade, eles não merecem isso, pois, se há algo que os caracteriza, é exatamente o contrário: um compromisso que vai além de suas competências, de seus recursos e de suas capacidades”, comemorou, repreendendo o fato de que, em contrapartida, se vê “pessoas de férias”.
UM GOVERNO “AUSENTE” QUE “NÃO ESTÁ À ALTURA”
Diante dessa situação, Gamarra insistiu que o PP exige a adoção de “medidas estruturais” e “não apenas observar” como se recupera “a normalidade” em Ceuta, diante do que consideram um governo “ausente”: “Quando algo grave acontece em um país, o país precisa sentir que aqueles que têm a honra e a grande responsabilidade de governá-lo estão à frente e assumem a responsabilidade”.
“Dizemos isso em voz alta e clara: eles não estavam presentes quando era preciso, não agiram nem previram o que estava por vir e agora também não estão à altura das circunstâncias, mesmo com todos os meios que o Estado possui e pode colocar a serviço de Ceuta e da Espanha”, afirmou ela.
A vice-secretária do Partido Popular insistiu, assim, que a entrada em massa do último dia 30 foi uma “invasão” e não uma chegada “casual”. “Havia indicadores e indícios para que isso fosse evitado, e isso não foi feito. Isso alguém teve que organizar, é evidente”, afirmou ela, ressaltando que o “retorno” ao Marrocos é a única “solução”.
Questionada também sobre como o PP agiria caso o governo central não quisesse realizar tal repatriação, Gamarra evitou responder, embora tenha avisado que continuarão “insistindo” e seguindo a “linha” da legislação europeia, após o aval de Bruxelas ao retorno dos migrantes que permanecem em Ceuta.
No entanto, ela elogiou a “coragem” dos habitantes de Ceuta por, em suas palavras, não desistirem. “Vocês não estão sozinhos; o resto da Espanha, aquela Espanha à qual vocês pertencem, está com vocês”, afirmou.
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