Europa Press/Contacto/David Balogh
MADRID, 19 abr. (EUROPA PRESS) -
O líder do partido húngaro Tisza, Péter Magyar, reuniu-se com uma delegação da Comissão Europeia que visitou Budapeste, à qual transmitiu sua vontade de cumprir os compromissos assumidos e a necessidade de liberar os fundos comunitários retidos da Hungria após sua vitória nas eleições do último domingo.
“Nesta rodada de contatos, deixei claro que o governo do Tisza começa a trabalhar com uma legitimidade sem precedentes e, ao mesmo tempo, com um senso de responsabilidade”, afirmou Magyar em uma mensagem publicada nas redes sociais.
O líder húngaro destacou que a vitória eleitoral de seu partido “representa uma enorme oportunidade tanto para a Hungria quanto para a Europa” e pede a liberação dos “milhares de milhões de euros em fundos que pertencem legitimamente à Hungria”.
“Sem esses fundos, não seria possível reativar a economia húngara. Os fundos da UE não são caridade, mas a justa retribuição pelas contribuições dos húngaros à União e pelo trabalho realizado pela Hungria em prol da Europa”, argumentou.
Nesses contatos, Magyar apresentou os compromissos do Tisza com o povo húngaro e seus parceiros: “medidas anticorrupção, acesso ao Ministério Público Europeu e recuperação da liberdade e independência do judiciário, da imprensa e do ensino superior”, explicou.
“Queremos cumprir integralmente essas promessas assim que chegarmos ao governo, bem como nossa promessa de recuperar os fundos da UE devidos aos húngaros”, insistiu.
Magyar destacou os contatos mantidos “ao mais alto nível técnico” entre os enviados de Bruxelas e os delegados do futuro governo húngaro. “São negociações muito importantes, os primeiros passos de um processo complexo, mas urgente”, acrescentou.
“Há total acordo em um ponto: deve começar o trabalho real para que os fundos da UE devidos ao povo húngaro possam finalmente ser entregues à Hungria”, destacou.
Magyar, apoiado pela vitória esmagadora de seu partido nas eleições de 12 de abril passado, antecipou que pretende “fechar um acordo integral” com as instituições da UE e os chefes de Estado e de Governo em sua próxima viagem a Bruxelas, a terceira viagem ao exterior após assumir o cargo. Este acordo deve incluir a entrega “o mais rápido possível” dos fundos “aos quais o povo húngaro tem direito”.
Bruxelas tem congelados cerca de 17 bilhões de euros em fundos comunitários que correspondem à Hungria, em consequência da deriva antidemocrática do governo do primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán. Além disso, esperam que seja levantado o veto húngaro ao empréstimo europeu de 90 bilhões de euros à Ucrânia.
Parte desse dinheiro, por exemplo, está congelada devido ao procedimento de condicionalidade, que suspende o pagamento de fundos europeus caso haja risco de que sejam utilizados para políticas que prejudiquem os interesses da União ou contrariem os princípios fundamentais do Estado de Direito. Bruxelas considera que as reformas de Orbán colocaram em risco a independência judicial no país e que atentaram contra as liberdades de grupos vulneráveis, como crianças ou a comunidade LGTBIQ.
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