Publicado 28/01/2026 22:46

França suspende programa de acolhimento de cientistas e artistas em Gaza e culpa o fechamento de Rafah

20 de janeiro de 2026, Paris, França: O ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, responde aos deputados durante a sessão de perguntas ao governo de 20 de janeiro de 2026, na Assembleia Nacional Francesa.
Europa Press/Contacto/Antonin Burat

MADRID 29 jan. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou nesta terça-feira perante o Senado que o programa de acolhimento para cientistas e artistas “PAUSE” está suspenso na Faixa de Gaza, alegando que é “praticamente impossível” realizar evacuações “enquanto a passagem de Rafá (sul) permanecer fechada”, como é o caso, apesar de a condição estabelecida por Israel para a sua reabertura — a recuperação dos restos mortais do último refém — ter sido cumprida na segunda-feira.

“Recentemente, tivemos que suspender as inscrições para o programa: enquanto a passagem de Rafah permanecer fechada — e estamos trabalhando para abri-la —, é praticamente impossível realizar essas evacuações”, explicou Barrot ao ser questionado sobre o assunto pela senadora ecologista Raymonde Poncet-Monge na Câmara Alta.

Nesse sentido, o chefe da diplomacia francesa defendeu que, enquanto o bloqueio da referida passagem fronteiriça se mantiver, “seria inadequado dar falsas esperanças” aos habitantes de Gaza selecionados para o programa de acolhimento de emergência para cientistas e artistas exilados. “A prioridade é a reabertura das passagens fronteiriças: então poderemos retomar o programa normalmente”, observou.

Acusado de “falta de vontade política” por Poncet-Monge, Barrot garantiu que seu ministério realizou “esforços consideráveis, em colaboração com nosso consulado geral e nossos parceiros, para organizar evacuações” do enclave palestino que, no total, levaram para a França “50 premiados (...) e suas famílias”.

As palavras do ministro das Relações Exteriores francês foram proferidas três dias depois que o Exército de Israel confirmou ter recuperado os restos mortais do último refém, o policial israelense Ran Gvili, localizados em um cemitério no norte da Faixa de Gaza, dentro da Linha Amarela — a linha de retirada do Exército israelense prevista no acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025 — e encontrados depois que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) forneceu as informações necessárias para a localização do corpo.

Essa foi a condição estabelecida no dia anterior pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para reabrir a passagem fronteiriça de Rafah, um ponto que, assim como a entrega de reféns e cadáveres, está previsto na primeira fase do acordo de paz para Gaza promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Assim sendo, e apesar de vários atores terem reclamado a reabertura da passagem, desde o Hamas até o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Rafá permanece fechada sob o controle das autoridades israelenses.

Enquanto isso, o impacto dos postos fronteiriços por parte de Israel está agravando o estado dos doentes e feridos no enclave, conforme alertou na terça-feira o Ministério da Saúde de Gaza. O órgão sinalizou esta semana que 4.500 dos 20.000 pacientes que aguardam tratamento no exterior são crianças. Especificamente, apenas 3.100 pacientes puderam sair de Gaza depois que o Exército de Israel fechou a passagem de Rafá, na fronteira com o Egito, em maio de 2024.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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