Omar Ashtawy / Zuma Press / ContactoPhoto
A Alemanha defende que se aguarde o "fim do processo" de negociações antes de tomar qualquer medida.
MADRID, 22 set. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido e da França, Yvette Cooper e Jean-Noel Barrot, respectivamente, pediram nesta segunda-feira às autoridades israelenses que não adotem nenhum tipo de represália pelo reconhecimento do Estado palestino, uma ameaça que o governo de Benjamin Netanyahu deixou no ar.
Uma dessas ameaças envolve a anexação da Cisjordânia, mas Cooper insistiu que o anúncio feito no domingo pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer não vai contra os interesses de Israel, mas seria, de fato, "a melhor maneira de respeitar a segurança" de israelenses e palestinos.
"Trata-se de proteger a paz e a justiça no Oriente Médio", disse Cooper em uma entrevista à BBC na segunda-feira, na qual ele enfatizou a responsabilidade do Reino Unido de reviver a solução de dois Estados diante das teses extremistas que cresceram em ambos os lados.
"A coisa mais fácil", acrescentou, "seria olhar para o outro lado e dizer que é muito difícil", mas Londres não considera essa opção viável quando há tanta "devastação" e "sofrimento". O governo britânico, no entanto, está deixando no ar o cronograma para a transformação de seu atual consulado em Jerusalém Oriental em uma embaixada.
Por sua vez, o chefe da diplomacia francesa previu que a segunda-feira será "um grande dia para a paz", já que se espera que a França replique os anúncios do Reino Unido, da Austrália e do Canadá e reconheça formalmente a Palestina como um Estado.
Para Barrot, que deu uma entrevista à TF1, essa é "uma grande vitória diplomática para a França", que, juntamente com a Arábia Saudita, é a força motriz por trás da cúpula que será realizada pela ONU para defender expressamente uma solução de dois Estados no Oriente Médio.
Quanto à possibilidade de retaliação por parte do governo israelense, o ministro francês disse que, se necessário, a França responderia "com extrema firmeza". "Espero que não chegue a esse ponto, porque essa iniciativa é do interesse da segurança de Israel", argumentou Barrot, deixando no ar aspectos práticos como a futura abertura de uma embaixada.
A ALEMANHA À MARGEM
O governo alemão reiterou na segunda-feira, pela boca de seu ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, que a Alemanha não está pensando em aderir a essa onda de reconhecimento internacional, já que a opção "mais provável" é deixar esse gesto simbólico para "o final do processo", ou seja, quando as partes assinarem um acordo de paz. Esse processo "deve começar agora", afirmou ele.
"Um Estado palestino é o nosso objetivo", acrescentou Wadephul, que não vê "nenhum outro caminho" para a paz na região. Em curto prazo, ele pediu "um cessar-fogo imediato" e a libertação de todos os reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza, informa a DPA.
Ele também questionou a atual escalada militar na Faixa de Gaza e criticou "qualquer passo em direção a uma anexação dos territórios ocupados", pois isso implicaria em uma violação da lei internacional e complicaria "uma solução sustentável para o conflito".
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático