Publicado 17/04/2026 12:28

França e Reino Unido anunciam uma missão para "acompanhar e proteger" navios mercantes no Estreito de Ormuz

Aplausos à reabertura do Estreito de Ormuz, que impulsiona a via diplomática no Irã

17 de abril de 2026, Paris, França: Conferência sobre a Iniciativa para a Navegação Marítima no Estreito de Ormuz — Emmanuel Macron recebe Keir Starmer no Palácio do Eliseu
Europa Press/Contacto/Michael Baucher

MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciaram nesta sexta-feira o lançamento de uma missão naval de caráter “neutro” para “acompanhar e proteger” os navios mercantes que transitam pelo Golfo Pérsico, em meio ao processo diplomático de uma série de aliados para contribuir com a livre navegação pelo estreito de Ormuz.

Após uma reunião organizada por Macron no Palácio do Eliseu, que reuniu quase 50 líderes mundiais, a maioria por videoconferência, para tratar da crise em Ormuz, o presidente francês anunciou o lançamento desta operação naval, coincidindo precisamente com a reabertura à navegação de navios mercantes anunciada pelo Irã, e que os Estados Unidos saudaram, apesar de ter sinalizado que manterá o bloqueio do estreito até que se chegue a um acordo com Teerã para o fim da guerra.

“Reforçaremos e aceleraremos o trabalho de planejamento que já iniciamos, em coordenação com o Reino Unido, para permitir a implementação de uma missão neutra, claramente distinta de uma missão beligerante, com o objetivo de acompanhar e proteger os navios mercantes que transitam pelo Golfo”, declarou o presidente francês, que indicou que uma próxima reunião de planejamento em Londres avançará na estrutura da missão.

Macron enfatizou que esse trabalho será acompanhado “por esforços diplomáticos e de coordenação” tanto com o Reino Unido e os parceiros interessados em participar quanto com as partes norte-americana e israelense.

Na mesma linha, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, confirmou a intenção de lançar uma missão “multinacional” liderada por Londres e Paris com o objetivo de “proteger a liberdade de navegação assim que as condições o permitirem”.

“Será uma missão estritamente pacífica e defensiva, destinada a tranquilizar os interesses comerciais e apoiar as operações de remoção de minas. Convidamos todas as nações interessadas no livre fluxo do comércio global a se unirem. Algumas já manifestaram sua disposição em contribuir”, explicou, sem especificar exatamente quais nações fornecerão recursos militares, embora tenha indicado que há cerca de dez países dispostos a fazê-lo.

Nesse contexto, o líder trabalhista ressaltou que a reabertura do Estreito de Ormuz é uma “necessidade e responsabilidade global”. “Devemos agir para que a energia e o comércio mundiais voltem a fluir livremente e, assim, reduzir os preços para os trabalhadores”, afirmou.

REABERTURA EM ORMUZ AVANÇA PELA VIA DIPLOMÁTICA

Em relação à situação em plena evolução em Ormuz, onde Teerã indicou nesta sexta-feira que a passagem está “completamente aberta” aos navios mercantes, Macron mostrou cautela, embora tenha insistido que, aliada ao cessar-fogo, é um elemento na “direção certa” e que faz avançar a situação “pela via diplomática”.

“Tudo isso faz a situação avançar pela via diplomática, e a iniciativa que todos nós tomamos em conjunto é ainda mais legítima porque é o que permitirá consolidar esses anúncios no curto prazo e, acima de tudo, dar-lhes uma possibilidade de perdurar no longo prazo”, afirmou ele sobre a utilidade da missão anunciada pela França e pelo Reino Unido.

KALLAS SE MOSTRAM DISPONÍVEL A REFORÇAR A MISSÃO ASPIDES

Por sua vez, a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, que participou do encontro em Paris, insistiu em reforçar a missão naval da UE no Mar Vermelho “Aspides” para proteger o transporte marítimo “em toda a região”, incluindo o Estreito de Ormuz, depois que os ministros das Relações Exteriores dos Vinte e Sete rejeitaram a modificação do mandato da operação no mês de março passado.

A chefe da diplomacia europeia retomou essa ideia após participar virtualmente da reunião sobre o bloqueio no Estreito de Ormuz organizada por Macron e Starmer, apesar de sua proposta não ter sido aprovada no último Conselho de Relações Externas (CAE) realizado em Bruxelas.

“A missão naval ‘Aspides’ da UE já está operando no Mar Vermelho e pode ser reforçada rapidamente para proteger o transporte marítimo em toda a região. Essa poderia ser a forma mais rápida de oferecer apoio”, indicou Kallas, após defender que a Europa “desempenhará seu papel” na restauração do “fluxo livre de energia e comércio” em Ormuz, uma vez que um cessar-fogo seja consolidado.

Conforme lembrou a líder estoniana, segundo o Direito Internacional, “o trânsito por vias marítimas como o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e isento de taxas”. “Foi isso que os líderes deixaram claro em seu apelo à reabertura do Estreito hoje”, indicou ela em uma mensagem nas redes sociais.

Ela também rejeitou “qualquer plano de pagamento por passagem”, como proposto pelo Irã, alegando que isso estabeleceria “um precedente perigoso para as rotas marítimas globais”. “O Irã deve abandonar qualquer plano de impor taxas de trânsito”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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