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MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta quarta-feira um reforço na vigilância dos acessos à ilha de Mayotte e um sistema de incentivos e penalidades à ajuda ao desenvolvimento para sete países africanos, com o objetivo de conter a pressão migratória nesse território ultramarino francês.
Lecornu, que visitou a base naval de Dzaoudzi e permanecerá em Mayotte por dois dias, informou que o governo colocará em prática um sistema de incentivos e penalidades à ajuda ao desenvolvimento — com base nos cerca de 300 milhões de euros anunciados para 2024— para países que cooperarem com Paris em questões migratórias.
Entre eles estão as Comores, o Burundi, a Tanzânia, a República Democrática do Congo (RDC), Ruanda, a Somália e o Quênia. “Os critérios serão públicos: saídas impedidas, combate aos traficantes, salvocondutos consulares emitidos, retornos aceitos, informações trocadas e redes desmanteladas. A ajuda humanitária direta às populações não será afetada”, garantiu ele nas redes sociais.
O primeiro-ministro francês anunciou ainda uma “maior militarização” no arquipélago, já que “não se trata mais apenas de interceptar as embarcações” com migrantes, mas “de detectá-las e intervir antes que cheguem à costa”.
“Nosso objetivo: eliminar os pontos cegos ao redor da ilha. Os quatro radares (que o território possui) serão renovados. Drones de grande autonomia, drones embarcados e balões cativos complementarão a vigilância. Será instalado um posto militar avançado permanente em M’tsamboro (no norte da ilha)”, acrescentou.
Lecornu destacou que haverá uma transição de “intervenções pontuais para uma presença contínua”. “Está prevista a mobilização de 62 policiais e gendarmes adicionais até o final de 2026. Todas as semanas, mais de 100 agentes se concentrarão nos bairros violentos, no trabalho ilegal e nas redes criminosas”, afirmou.
Paralelamente, o governo francês reforçará a atuação dos juízes e magistrados em 2027. “Confirmamos a construção de um segundo centro penitenciário com 250 vagas: sua localização exata será definida e os primeiros estudos serão iniciados no primeiro trimestre de 2027”, concluiu.
O governo francês tem sido alvo de críticas devido ao abandono que Mayotte vem sofrendo há décadas por parte da França continental, especialmente após o devastador ciclone “Chido”, registrado em dezembro de 2024. Trata-se do território mais pobre da França. Cerca de um terço de seus 320.000 habitantes vive em assentamentos de barracos, em condições muito precárias.
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