MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, instou nesta sexta-feira as autoridades do Irã a fazerem “grandes concessões” para que os Estados Unidos e Israel ponham fim à ofensiva desencadeada no final de fevereiro contra o país, ao mesmo tempo em que apontou para a possibilidade de que o fim dos ataques exija uma “mudança radical” por parte de Teerã.
“Independentemente dos resultados das operações militares que continuam em andamento, elas devem ser complementadas por uma solução política que ofereça efeitos duradouros. Nesse sentido, o regime iraniano deve se preparar para fazer grandes concessões”, afirmou durante uma coletiva de imprensa após sua chegada à cidade israelense de Tel Aviv, onde se encontra em visita.
Nesse sentido, esclareceu que “a estabilidade na região também depende da implementação do plano de paz dos Estados Unidos para o futuro da Faixa de Gaza”, que foi apresentado no ano passado e que inclui “o acesso humanitário, o desarmamento do Hamas e a restauração de um horizonte político baseado na solução de dois Estados”.
Após sua chegada a Israel, ele se reuniu com seu homólogo, Gideon Saar, em Jerusalém, onde explicou que a França está “trabalhando para concretizar uma missão de defesa em nível internacional que permita restaurar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz”, uma questão que tem recebido apoio tanto de líderes europeus quanto asiáticos.
“A França trabalha dia e noite para dar uma resposta aos cidadãos franceses”, afirmou Barrot, que visitou o Líbano na quinta-feira, onde lamentou o “dramático aumento da violência” e anunciou um reforço da ajuda destinada ao país por parte do governo francês.
SITUAÇÃO NO LÍBANO
Sobre este assunto, ele alertou para as possíveis consequências da ofensiva lançada por Israel no sul do Líbano em resposta ao lançamento de projéteis pelo partido-milícia xiita Hezbollah após o início da ofensiva contra o Irã e expressou suas “reservas”.
Barrot enfatizou que o Exército libanês “deve fazer todo o possível para conseguir o desarmamento do Hezbollah, tal como exige o Governo” e lamentou que “não haja indícios de que as tensões no Oriente Médio vão acabar em breve”. “Continuaremos trabalhando para alcançar uma solução duradoura”, acrescentou.
“Não há uma saída óbvia para isso no curto prazo”, ressaltou, enquanto Saar explicou que as partes aproveitaram a ocasião para “conversar longamente” sobre a situação no Oriente Médio. Além disso, ele informou Barrot sobre os avanços do Exército no Líbano, mas lamentou que o governo libanês e seu exército “não estejam tomando medidas significativas contra o Hezbollah, nem militarmente nem em outros aspectos”.
Nesse sentido, propôs que tanto a França quanto a UE “designem a organização Hezbollah como organização terrorista em sua totalidade, e não apenas seu braço militar, como já fizeram alguns países europeus”. “É necessária a deslegitimação total do Hezbollah, já que esse grupo ligado ao Irã vem operando militarmente contra Israel há décadas, arruinando progressivamente o Líbano e seu futuro”, afirmou em uma mensagem divulgada nas redes sociais.
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