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MADRID, 3 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse nesta segunda-feira que uma trégua entre a Ucrânia e a Rússia por ar, mar e na infraestrutura energética poderia permitir analisar "a boa fé" do presidente russo, Vladimir Putin, em vista do início das negociações de um acordo para uma paz "sólida e duradoura", depois que Paris e Londres propuseram uma trégua parcial de um mês no final do domingo.
Barrot disse à estação de rádio francesa France Inter que "uma trégua no ar, no mar e nas infraestruturas de energia nos permitirá verificar a boa fé de Vladimir Putin". "Depois disso, as verdadeiras negociações de paz teriam início, porque queremos paz, mas queremos uma paz sólida e duradoura", disse ele.
"Uma paz que ponha um fim definitivo ao que está acontecendo no leste do continente há 15 anos", enfatizou, antes de insistir que essa proposta seria "uma forma de verificar se a Rússia tem a vontade de pôr fim à guerra".
Ele também respondeu às palavras do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o risco de uma terceira guerra mundial na ausência de um acordo e reconheceu que "nunca antes o risco de guerra no continente europeu, na União Europeia, foi maior". "Nos últimos 15 anos, a ameaça não parou de se aproximar de nós. A linha de frente continua se aproximando de nós", explicou.
"É por isso que (...) o presidente da França (Emmanuel Macron) vem dizendo há sete anos que precisamos aumentar nossa defesa para deter a ameaça. O que estamos testemunhando hoje, e o que testemunhamos ontem em Londres, é o despertar de uma parte dos europeus que se recusou a ver a realidade das coisas", ressaltou.
Barrot também se referiu ao confronto registrado na sexta-feira no Salão Oval da Casa Branca entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e reconheceu que teria preferido que o contato "tivesse sido diferente", embora tenha dito que o líder ucraniano é "um grande combatente da resistência" e "um herói" por seu papel diante da invasão russa.
Por fim, sobre a possibilidade de Washington apoiar o apelo da França e do Reino Unido por uma trégua parcial, Barrot argumentou que na semana passada houve "discussões" com Trump e sua equipe "no espírito de que ele estava pensando em resolver a crise", antes de afirmar que uma visita de Macron a Washington "não está planejada no momento", embora os contatos entre os dois líderes "sejam muito frequentes".
Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer propuseram no domingo uma trégua parcial de um mês que se aplicaria à Ucrânia para facilitar o progresso em direção à paz. O presidente francês explicou em declarações ao jornal 'Le Figaro' que esse plano não inclui combates no terreno, pois "seria difícil de verificar" devido ao fato de que "a linha de frente hoje é como a linha Paris-Budapeste".
"Também não haverá tropas europeias em solo ucraniano nas próximas semanas. A questão é como usar esse tempo para tentar chegar a uma trégua viável, com negociações que durem várias semanas e, depois que a paz for assinada, a mobilização", explicou. "Queremos a paz, (mas) não a queremos a qualquer preço, sem garantias", disse ele após anunciar o plano, que permitiria que os europeus participassem de negociações que atualmente envolveriam apenas Washington e Moscou.
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