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MADRID 9 jan. (EUROPA PRESS) - O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, defendeu nesta sexta-feira o “direito” da França e da União Europeia como um todo de “dizer não” ao governo dos Estados Unidos diante de “propostas inaceitáveis”, como a possível anexação da Groenlândia.
“Também é nosso direito dizer não, mas a União Europeia está sendo ameaçada externamente por adversários que tentam destruir os laços de solidariedade que nos unem. Também internamente somos ameaçados pela fadiga democrática”, lamentou durante seu encontro anual com os embaixadores franceses em Paris, segundo o jornal francês “Le Figaro”.
Nesse sentido, ele ressaltou que “nada garante que continuaremos vivendo na mesma União Europeia de hoje daqui a dez anos”. “Os Estados Unidos são um aliado com o qual nem sempre concordamos. Em apenas alguns meses, o novo governo decidiu, e está no seu direito, repensar as relações que tem conosco. Também é nosso direito dizer não”, esclareceu. “Isso deve ser feito independentemente de se tratar de um aliado histórico. Se a proposta for inaceitável, devemos dizer não”, afirmou, ao mesmo tempo em que alertou para um “enfraquecimento da organização política europeia”, que “busca evitar a eliminação da civilização”.
Barrot alertou que é precisamente essa organização que “está agora em perigo, apesar de sua estabilidade em um mundo imprevisível”, mas enfatizou que “ela não desaparecerá”. “Não. Não estamos à beira do colapso, e as vozes que dizem o contrário deveriam se preocupar mais com seu próprio colapso”, sustentou. “Diante da brutalização do mundo, uma exigência é imperativa: rejeitar a resignação que nos reduziria a meros espectadores da impotência. Também devemos rejeitar a traição aos nossos princípios em nome da lei do mais forte. Essa não é a moral da França”, concluiu. As aspirações expansionistas de Trump sobre a Groenlândia têm sido uma constante desde que ele voltou à Casa Branca há um ano. Sob a justificativa da segurança nacional, apelando para a presença de navios chineses e russos na região, o presidente dos Estados Unidos vem reivindicando o controle da ilha.
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