Publicado 19/02/2026 17:58

França critica a Comissão por ir à Junta de Paz sem mandato dos 27, enquanto a comissária reivindica seu papel

A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, durante a reunião do Conselho de Paz realizada nesta quinta-feira em Washington (Estados Unidos)
COMISIÓN EUROPEA

A bandeira da UE foi exibida no evento no mesmo dia em que a Comissão afirmou que iria, mas em representação própria BRUXELAS 19 fev. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, criticou a Comissão Europeia por ter enviado a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, à reunião desta quinta-feira do Conselho de Paz proposto por Donald Trump, argumentando que “ela nunca deveria ter participado” por não ter o mandato dos 27 Estados-membros da UE.

“A Comissão Europeia nunca deveria ter participado da reunião da Junta de Paz em Washington hoje, uma vez que não havia recebido um mandato do Conselho para fazê-lo. Além das questões políticas legítimas levantadas pela Junta de Paz, a Comissão deve respeitar escrupulosamente o direito europeu e o equilíbrio institucional em todas as circunstâncias”, afirmou em uma mensagem nas redes sociais.

Barrot criticou assim a decisão do Executivo comunitário de ter enviado a comissária à iniciativa promovida pelo inquilino da Casa Branca, no mesmo dia em que a Comissão justificou sua decisão, alegando que Ursula von der Leyen recebeu um convite pessoal para comparecer e que Suica não participa em nome de toda a União.

Assim, na visão de Bruxelas, Suica participa da reunião na qualidade de membro do Colégio de Comissários, mas não em representação dos 27, uma vez que qualquer posição sobre política externa deve ser previamente definida por unanimidade entre todos os Estados-membros da UE.

A decisão, que não foi consultada com os Estados-Membros, segundo fontes diplomáticas, surge depois de tanto o Executivo comunitário como os 27 terem recusado participar na Junta de Paz, invocando “sérias dúvidas” sobre “a compatibilidade” da proposta apresentada pela Administração Trump com a Carta das Nações Unidas, a sua governação ou o seu âmbito de ação.

Entre as dúvidas estão algumas relativas ao formato, uma vez que há mais países do que a União Europeia esperava, e também pairam dúvidas jurídicas sobre a compatibilidade com a ONU e com o Direito da União Europeia, uma vez que Trump propôs que o futuro do organismo passe a ser permanente e a mediar outros conflitos, papel que já é exercido pelas Nações Unidas. A COMISSÁRIA REIVINDICA O SEU PAPEL

Quase 50 países aderiram à sessão inicial do Conselho de Paz, que se realiza esta quinta-feira na capital americana, excedendo assim os participantes dos 27 membros fundadores do organismo, entre os quais apenas há dois países da União Europeia: Bulgária e Hungria. No entanto, vários Estados-membros do bloco comunitário participaram na qualidade de observadores, como é o caso da Itália, Grécia ou Chipre. A comissária Suica também participou como observadora em representação do Executivo comunitário, embora Bruxelas tenha se recusado a definir seu papel e se limitado a dizer que não é membro do Conselho de Paz. De fato, de acordo com imagens enviadas pela Casa Branca, a bandeira da União Europeia foi exibida durante o evento em um painel decorativo, ao lado das bandeiras de outros Estados da UE, como Alemanha, Finlândia e Áustria.

No entanto, a própria comissária defendeu seu papel em Washington em uma mensagem nas redes sociais, na qual afirmou que o objetivo da Comissão “é claro”: “Ação coordenada, governança responsável e resultados tangíveis para o povo palestino”.

Suica reiterou que a UE é “o maior doador internacional do povo palestino” e que, desde 1994, forneceu cerca de 30 bilhões de euros em assistência à população, dos quais 3 bilhões foram distribuídos desde 2020.

Mais tarde, informou sobre reuniões à margem do Conselho de Paz com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Badr Abdelatty; com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Ayman Safadi; e com o chefe da diplomacia da Arábia Saudita, Adel al Jubeir.

A participação da comissária na Junta de Paz também foi criticada por grupos políticos do Parlamento Europeu, como os socialistas (S&D), os liberais (Renew) e a esquerda (The Left), que concordaram em exigir uma explicação à Comissão por tomar essa decisão sem a unanimidade dos 27.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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