Rober Solsona - Europa Press - Arquivo
MADRID, 12 jul. (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, classificou neste domingo como “absolutamente inaceitáveis” as declarações do ex-presidente do Governo espanhol Mariano Rajoy, que afirmou em uma coluna de opinião que a seleção francesa de futebol tem “um nível altíssimo, mas, claro, sem franceses”.
“Se essa declaração for verdadeira, é absolutamente inaceitável. Não reflete de forma alguma o que é a França”, afirmou o ministro francês em entrevista à emissora BMF TV.
Em um artigo publicado no jornal El Debate após a classificação da Espanha para as semifinais da Copa do Mundo, Rajoy destacou o histórico de conquistas da seleção francesa e sua liderança no ranking da FIFA, ao mesmo tempo em que afirmou que ela conta com um elenco de “nível altíssimo” embora “isso sim, sem franceses”, disse ele, referindo-se à origem dos jogadores.
Sobre essas palavras, o ministro francês disse que “a França é um país diversificado onde todos podem se desenvolver” e que considera que “existe, simplesmente, uma França que é uma República na qual todos devem poder encontrar seu lugar”.
“Acho que nos afastamos disso quando se trata de assuntos como esses. Não transmitimos uma imagem de esperança a muitos jovens que vivem nos bairros e que são cidadãos da República”, afirmou ainda o ministro francês.
DOS 26 JOGADORES, 23 NASCERAM NA FRANÇA
A Embaixada da França na Espanha também publicou um breve comunicado no qual lembra que “dos 26 jogadores, 23 nasceram na França”.
“Sem querer entrar em polêmica, convém lembrar os fatos: todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os 3 que nasceram no exterior também são franceses”, indica a Embaixada.
AÇÕES JUDICIAIS CONTRA RAJOY
A ministra delegada para a Igualdade de Gênero e o Combate à Discriminação da França, Aurore Bergé, afirmou que “os repetidos deslizes racistas são insuportáveis” e demonstrou seu orgulho pela seleção francesa.
“A seleção da França mostra o que há de melhor em nós: uma França que vence, que ousa, que joga em equipe, que resiste às adversidades. Uma equipe que amamos e que nos enche de orgulho”, destacou
Bergé ressaltou que “é hora de que isso pare e de que o esporte volte a ser esporte: um lugar onde se julga pelo talento e por nenhum outro critério”.
Por sua vez, a ministra dos Territórios Ultramarinos, Naïma Moutchou, pediu à Federação Francesa de Futebol que inicie “todas as ações legais possíveis” contra as declarações de Rajoy.
“A cada vitória dos Bleus, ressurgem as mesmas obsessões e insultos racistas. Não se trata de ‘deslizes’. É um ódio metódico e banalizado contra a França e tudo o que ela representa”, declarou ela em uma mensagem publicada na rede social X.
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