CASPE (ZARAGOZA), 23 (EUROPA PRESS)
Agentes da Polícia Nacional desmantelaram em Caspe (Saragoça) uma organização criminosa supostamente dedicada ao tráfico de pessoas para fins de exploração laboral, que recrutava trabalhadores na Romênia por meio de ofertas de emprego, prometendo-lhes condições de trabalho que posteriormente não eram cumpridas.
A investigação teve início após um pedido de ajuda de duas vítimas e culminou com a libertação de sete pessoas e a prisão de quatro membros da rede, informou a Polícia Nacional.
Foi a Polícia da Romênia, por meio da Adidância do Interior da Espanha naquele país, que solicitou o início da investigação após receber informações de dois cidadãos romenos empregados em uma propriedade agrícola em Caspe (Saragoça), que, por meio de seus familiares, haviam comunicado que estavam retidos contra sua vontade.
Assim, foi iniciada uma operação policial que possibilitou a localização e a libertação dos dois trabalhadores. Com base nos depoimentos coletados e nas investigações realizadas, detectou-se a existência de um grupo criminoso supostamente dedicado à prática de crimes de tráfico de pessoas com fins de exploração laboral.
Por esse motivo, dias depois, foi montado um amplo dispositivo policial na propriedade agrícola onde as duas primeiras vítimas haviam sido localizadas e libertadas, uma vez que havia indícios de que mais pessoas afetadas pela atividade da rede investigada poderiam estar ali.
Durante a operação, quatro membros da organização criminosa foram presos e 91 trabalhadores de nacionalidade romena foram identificados; eles estavam alojados em contêineres pré-fabricados em condições precárias.
CONDIÇÕES DE TRABALHO
De acordo com os depoimentos, a maioria dos trabalhadores entrou em contato com a organização por meio de anúncios publicados na internet e, após manifestarem interesse, assinaram um pré-contrato do qual puderam ver apenas a primeira página, sendo informados verbalmente sobre as demais condições.
Uma vez aceita a oferta, eram transportados de diferentes pontos da Romênia para a Espanha, constatando posteriormente que as condições eram diferentes das inicialmente acordadas. A viagem era feita de ônibus e durava três dias.
A maioria dos trabalhadores afirmou que a organização lhes havia garantido que o transporte era gratuito. No entanto, ao chegarem à cidade de Caspe, foram obrigados a trabalhar dois dias sem receber salário para cobrir o custo da viagem.
Da mesma forma, vários trabalhadores revelaram que a organização lhes havia prometido 9,50 euros por hora de trabalho. A jornada de trabalho era de 10 horas por dia, de segunda a sábado.
Embora inicialmente tivessem sido informados de que a hospedagem seria gratuita, ao chegarem à fazenda foram alojados em barracos pré-fabricados com capacidade para dez pessoas e foram informados de que deveriam pagar dois euros por dia por serviços básicos, como cozinha, água potável e água quente.
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