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MADRID 4 ago. (EUROPA PRESS) -
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta terça-feira que concordou em oferecer “assistência técnica” à Síria, após uma delegação ter visitado a capital, Damasco, para analisar os avanços nas reformas econômicas impulsionadas durante o mandato do presidente de transição, Ahmed al Shara.
A delegação do FMI realizou reuniões entre os dias 19 e 23 de julho com o ministro das Finanças, Yisr Barnié, bem como com o presidente do Banco Central, Saufat Raslan, e outros altos funcionários, no âmbito das reformas impulsionadas pelo governo de Al Shara para fortalecer a economia síria após a guerra e a queda do presidente Bashar al Assad no final de 2024.
O programa de assistência técnica do FMI permitirá que as autoridades sírias fortaleçam suas capacidades em matéria de reformas fiscais, mobilização de receitas e gestão da dívida pública, de acordo com um comunicado do organismo internacional.
“Em 2025, a economia começou a se recuperar graças a uma melhora na confiança dos consumidores e investidores após a mudança de regime, o retorno de cerca de 1,5 milhão de refugiados e a reintegração gradual da Síria na economia regional e mundial; fatores que ajudaram a neutralizar o impacto negativo sobre o crescimento causado por uma grave seca que afetou negativamente a agricultura”, destacou Ron Van Rooden, que liderou a delegação.
Até 2026, o crescimento econômico da Síria atingirá “números de dois dígitos” graças à “recuperação agrícola”, à “expansão da produção de hidrocarbonetos e do fornecimento de energia elétrica”, bem como ao “crescimento contínuo do comércio e do setor de serviços”, prevê o órgão.
“A atividade econômica é sustentada pelo retorno constante de refugiados, um aumento notável no número de visitantes e, de maneira mais geral, pelas políticas das autoridades voltadas para restabelecer a estabilidade macroeconômica e alcançar uma recuperação sólida liderada pelo setor privado”, afirmou.
Dessa forma, o FMI projetou que o crescimento na Síria “permanecerá forte” até 2027. “No entanto, o crescimento é desigual entre as diferentes regiões e a pobreza, embora tenha diminuído ligeiramente, continua sendo muito generalizada”, alertou.
“O Banco Central da Síria administrou com sucesso a introdução da nova moeda. No entanto, a política monetária continua fortemente condicionada por um sistema bancário altamente disfuncional e pela falta de instrumentos de política monetária”, destacou, acrescentando que é “crucial” adotar novas leis sobre o setor bancário.
Além disso, entre outras questões, ele instou a “promover a reintegração da Síria no sistema financeiro internacional”, reforçando “o marco de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo” para que o país seja retirado da lista do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
Da mesma forma, Van Rooden destacou que “devido às enormes necessidades” do país árabe “em matéria humanitária e de desenvolvimento, continua sendo necessário contar com um apoio financeiro internacional sólido e oportuno”.
“A reintegração sustentável dos refugiados e deslocados internos que retornam requer um apoio que vá além da assistência humanitária e se concentre também na criação de oportunidades de emprego produtivo, na melhoria da prestação de serviços públicos e na reabilitação de moradias e infraestrutura”, afirmou.
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