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Israel está seguindo um "padrão" de ameaças, dizem as autoridades, e apontam para sinais de um "ataque iminente".
MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -
A Flotilha Global Sumud, formada por cinquenta embarcações que cruzam o Mediterrâneo com a intenção de chegar a Gaza para entregar ajuda humanitária, reafirmou nesta quinta-feira seu compromisso com o "momento mais vital" de sua missão diante da "ameaça" de Israel, que "tentará deter" os navios, como "já fez no passado".
O ativista Yasemin Acar, membro do Comitê de Direção da Flotilha, disse que Israel continua a usar "as mesmas velhas táticas" para bloquear a entrada de alimentos e medicamentos no enclave palestino, que enfrenta uma ofensiva que começou há quase dois anos e resultou em mais de 65.500 mortes.
"Essas não são táticas novas. São as mesmas velhas táticas, mas recicladas e criadas para justificar a violência. Nós não vamos parar. Vamos continuar em Gaza para entregar essa assistência e abrir um corredor humanitário", disse ele durante uma coletiva de imprensa virtual convocada em resposta às indicações de um ataque israelense "iminente" contra os navios.
"Estamos cientes dessas ameaças e de que haverá atores que tentarão nos impedir. Até agora, muitas pessoas foram pressionadas a abandonar essa missão por causa dos perigos que ela representa", lamentou, ao mesmo tempo em que descartou que tais ameaças funcionariam. "Elas só servem para tornar as pessoas ainda mais unidas", acrescentou.
Ele disse que estava ciente dos perigos, já que eles eram "os mesmos enfrentados por outros navios desse tipo no passado". Ele pediu à mídia que continue a informar sobre a situação atual: "isso não é apenas uma ameaça para nós, mas também para toda a comunidade internacional e para todos aqueles que desafiam Israel".
"Essas ameaças não vão nos deter, e eles sabem disso. Eles vêm tentando nos deter há anos e sabem que não podem nos deter porque as pessoas estão determinadas.
POSSÍVEL ATAQUE ISRAELENSE
A própria iniciativa recebeu recentemente informações de inteligência "confiáveis" que apontam para um possível ataque israelense nas próximas 48 horas, cujo objetivo poderia incluir "afundar" os barcos ou tentar "ferir ou matar os participantes" a bordo.
Acar, que agradeceu às "pessoas que apoiam a causa", lamentou o "padrão perturbador de Israel de justificar ataques a missões civis humanitárias" e lembrou que as autoridades israelenses tendem a "falar sobre armas e terroristas a bordo" para "justificar sua violência".
"Gaza não é uma ameaça, é um lugar onde as pessoas estão sendo sitiadas e atacadas pelo simples fato de sua existência (...) O mundo não pode continuar a permitir isso, e a integridade jornalística e a vida de milhares de pessoas dependem disso", disse ela, antes de afirmar que a comunidade internacional "falhou em proteger os palestinos". "Como cidadã alemã, exijo que a Alemanha, o segundo maior exportador de armas para esse genocídio, rompa todas as relações com Israel.
CONTRA A PROPAGANDA ISRAELENSE
Kleoniki Alexopoulou, que também é membro do Comitê de Direção da Flotilha, pediu que "não se acredite em uma única palavra da propaganda lançada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel" contra os membros da iniciativa. "Claramente, somos cidadãos pacíficos: médicos, advogados, trabalhadores comuns", disse ela.
"Somos apenas pessoas que pedem justiça para o povo palestino, que teve que enfrentar esse genocídio e que está enfrentando cada vez mais mortes, inclusive de crianças. Há estatísticas incríveis que parecem não importar, por alguma razão", denunciou.
Por isso, ele declarou que "agora há uma chance de acabar com o bloqueio, de fazer parte de um momento histórico". "E não vamos deixar essa oportunidade passar. Não vamos desistir da luta. Estamos agora no momento mais vital da missão, mais perto de Gaza, e temos que permanecer disciplinados, comprometidos e manter a fé, com otimismo. Vamos conseguir porque estamos certos", disse ele.
Ele foi repetido pelo advogado palestino Lamis J. Deek, que lamentou que "não há base alguma para o bloqueio israelense", ao mesmo tempo em que enfatizou que "a mesma coisa está se repetindo" várias vezes. "Isso deve ser visto como um ato de guerra e é assim que deve ser tratado. Espero que esse seja o termo que a Flotilha e o resto do mundo comecem a usar", enfatizou.
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