Publicado 29/08/2026 00:36

Flávio Bolsonaro desvia a atenção para Lula por causa do “caso Master” e garante que respeitará as eleições

24 de agosto de 2026, São Paulo, São Paulo, Brasil: São Paulo (SP), 24/08/2026 - Política/Eleições 2026 - O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), ao lado de Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e Marc
Europa Press/Contacto/Leco Viana

MADRID 29 ago. (EUROPA PRESS) -

O candidato ultraconservador à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, rejeitou nesta sexta-feira, em entrevista, as acusações de financiamento irregular relacionadas ao filme biográfico sobre seu pai. Além disso, o deputado desviou as suspeitas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a tentativa de golpe de Estado de 2023 como um “golpe da Disney” e garantiu que respeitará o resultado das eleições de outubro.

Em entrevista concedida à emissora brasileira Globo TV com vistas às próximas eleições presidenciais de outubro, Bolsonaro negou que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro — ex-diretor do Banco Master, investigado por fraudes e irregularidades financeiras —, decorrente do financiamento do filme “Dark Horse” (um filme centrado na figura de seu pai, o ex-presidente condenado Jair Bolsonaro), implicasse em algum tipo de contrapartida em seu trabalho como parlamentar.

“Não houve nenhum tipo de contrapartida para esse investidor durante meu mandato no Senado. Foi um patrocínio que não envolveu nenhuma transferência”, declarou o candidato.

FINANCIAMENTO SOB SUSPEITA E ACUSAÇÕES A LULA

Flávio reiterou que “não há absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do pai” e também argumentou que a “única relação” que mantinha com o banqueiro era em relação ao filme.

Em maio, vazou uma série de mensagens entre Flávio e Vorcaro nas quais o senador solicitava financiamento para o filme. Segundo a mídia local, foram negociados 134 milhões de reais (cerca de 22 milhões de euros), dos quais teriam sido transferidos 61 no total. Questionado sobre os gastos com a produção, o senador evitou fornecer detalhes, alegando que se trata de “um assunto privado”, e sustentou que cabe ao presidente Lula prestar contas sobre o esquema do Banco Master.

“Todo o patrocínio recebido foi destinado ao filme. Pedi à produtora que apresentasse o relatório de prestação de contas, e isso foi feito no âmbito da investigação que a Polícia está conduzindo. Temos grande interesse em que haja transparência. A que conclusão chegou o laudo pericial? De que não há nem um centavo de dinheiro público. Trata-se de um assunto privado. E isso demonstra que o filme custou mais do que o patrocínio recebido”, defendeu.

UM GOLPE DE ESTADO “DISNEY”

Além disso, o candidato de extrema direita se referiu à pena de seu pai, condenado a 27 anos de prisão — que atualmente cumpre em regime de prisão domiciliar — por tentativa de golpe de Estado e participação em organizações criminosas, entre outros crimes, como uma “farsa orquestrada pelo aparato público”.

“Uma farsa orquestrada para afastar Bolsonaro da vida pública. Ele foi julgado por seus inimigos. Que organização criminosa armada? Eles nem se conheciam, e nenhuma arma foi encontrada. Como Bolsonaro pode ser condenado por danos à propriedade pública se estava nos Estados Unidos? Isso foi uma farsa. Ele foi julgado pelo ministro Alexandre de Moraes, inimigo declarado do presidente Bolsonaro. Dino e Cristiano Zanin, indicados por Lula. Você acha que foi um julgamento justo?”, exclamou ele diante das perguntas dos entrevistadores.

Além disso, Flávio classificou a magnitude dos fatos como um “golpe da Disney”, alegando que tudo foi orquestrado como se fosse um roteiro de cinema.

UMA PROMESSA DE RESPEITAR O RESULTADO DAS ELEIÇÕES

Questionado se respeitaria o resultado das eleições, o candidato prometeu que o faria. No entanto, quando questionado se o faria mesmo em caso de derrota, ele preferiu não responder diretamente à pergunta.

“Não vou perder. E mais: vou vencer no primeiro turno”, destacou com confiança.

Flávio afirmou que “nunca questionou o processo eleitoral” e admitiu que cometeu um erro ao citar informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras quando pediu a um público de representantes diplomáticos estrangeiros que enviassem “o maior número possível de observadores” para supervisionar as eleições de outubro.

ACUSAÇÕES A LULA PELA IMPOSIÇÃO DE TARIFAS PELOS EUA

O candidato culpou novamente o governo de Lula pela recente imposição de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, acusando-o de ter se “esforçado” para “conseguir” essas medidas econômicas. Além disso, ele admitiu que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, errou ao agradecer ao governo Trump pelas medidas tarifárias.

“Lula se esforçou muito, buscou essa tarifa com determinação (...) Acho que (Eduardo) errou ao agradecer pelas tarifas, sobretudo porque foi uma decisão do governo dos Estados Unidos”, enfatizou.

Da mesma forma, informou que inicialmente pediu ao presidente dos Estados Unidos que suspendesse as tarifas, embora, por fim, tenha solicitado que fossem adiadas.

“Pedi a suspensão, mas também fiz alguns pedidos adicionais e disse a Trump que Lula está fazendo todo o possível para que as tarifas sejam aplicadas. Disse a ele que em breve teríamos eleições e que, com Flávio Bolsonaro como presidente, estaríamos em condições de negociar”, concluiu, em uma declaração com vistas às eleições de outubro.

As eleições presidenciais do Brasil em outubro se configuram como um novo capítulo decisivo da profunda polarização política que atravessa o país. O presidente progressista Lula da Silva busca a reeleição diante do impulso ultraconservador do representante do bolsonarismo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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