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MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
O senador e candidato de extrema direita à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, procurou associar, nesta segunda-feira, seu rival eleitoral e atual chefe do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, envolvido em uma polêmica por uma suposta troca de mensagens com o ex-presidente do já extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado por supostas fraudes e falsificação de documentos.
“Quem votar em Lula, vota em Alexandre de Moraes”, afirmou, segundo reportagem do jornal brasileiro “Folha”, em comício político realizado em São Paulo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado em um processo judicial conduzido pelo próprio De Moraes.
Denunciando uma suposta “parceria” entre o juiz e Lula, Flávio prometeu que, caso seja eleito nas eleições marcadas para o próximo domingo, 4 de outubro, trabalhará para “restaurar a credibilidade” do Supremo Tribunal Federal.
No mesmo evento, seu companheiro de chapa pelo Partido Liberal, Alfredo Gaspar, também criticou o juiz e aprofundou a ligação com o presidente brasileiro apontada por Flávio: “Não há Lula sem Alexandre”, afirmou o candidato a vice-presidente.
Bolsonaro e Gaspar se manifestaram dessa forma em um comício político impulsionado pelo alvoroço político e midiático que, desde a semana passada, vem envolvendo o juiz De Moraes em virtude do vazamento de uma sequência de mensagens nas quais Vorcaro teria pedido a ele, entre outros favores — e caso ele fosse o verdadeiro destinatário — que intercedesse em seu favor para evitar sua prisão no caso Master.
O caso, no entanto, também atingiu Flávio, pois em maio passado foi revelado que ele havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme ‘Dark Horse’, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O episódio está sendo investigado pela Polícia Federal e, embora o senador tenha negado qualquer irregularidade, ele ainda não apresentou documentos que comprovem o destino dos recursos, ao contrário do que havia prometido.
De qualquer forma, o candidato à presidência não mencionou nem o caso Master nem Daniel Vorcaro, concentrando sua atenção na outra vertente da polêmica mais atual. De fato, ele mudou o tom em relação às suas declarações anteriores sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil — que eram especialmente críticas após a sentença contra seu pai — e argumentou que esse tribunal “não é Alexandre de Moraes” e que é necessário “proteger” o STF desse magistrado.
Os partidários de Bolsonaro também se mobilizaram em defesa do juiz do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pelo caso Master, que na última terça-feira levantou o sigilo do relatório da Polícia Federal que revelava conversas entre De Moraes e o ex-banqueiro. Sua decisão recebeu como resposta de seu colega um pedido de inquérito contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, má conduta administrativa e desvio de verbas.
28.500 PARTICIPANTES DE UM COMÍCIO COM ALUSÕES DO PÚBLICO A TRUMP
O comício presidido por Flávio reuniu cerca de 28.500 manifestantes, segundo dados coletados pelo Observatório do Debate Político da Universidade de São Paulo, pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e pela ONG More in Common.
Alguns deles exibiam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, bem como fotos dos condenados em decorrência da invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, por simpatizantes de Jair Bolsonaro em protesto contra a vitória eleitoral de Lula.
Também foi vista uma figura inflável do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurando Lula com uniforme de prisioneiro e com o slogan em inglês: “Trump, liberte o Brasil”, em um paralelo com a captura, por forças americanas, do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.
Antes do início do evento, um grupo de manifestantes de esquerda se enfrentou com outro grupo que chegava para o evento de direita nas proximidades da Avenida Paulista, situação diante da qual “intervieram para conter as partes” a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana, conforme informou a primeira em um comunicado divulgado pelo ‘Folha’.
Flávio Bolsonaro se referiu a esses fatos após o término do evento, agradecendo a atuação da Polícia Militar contra os “esquerdistas”, a quem acusou de comparecer para “cometer crimes” e “causar caos”.
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