Publicado 13/06/2026 04:08

O financiamento local volta ao debate público: mais de 25 anos com um sistema “insustentável” e mais competências

A FEMP e a Fedea concordam: o financiamento local e o autônomo estão intimamente relacionados

Archivo - Arquivo - Um funcionário do serviço municipal de limpeza recolhe lixo no bairro do Raval, em 12 de dezembro de 2024, em Barcelona, Catalunha (Espanha).
David Zorrakino - Europa Press - Arquivo

MADRID, 13 jun. (EUROPA PRESS) -

Quase 25 anos após a aprovação do atual sistema de financiamento local, a intenção do Ministério da Fazenda de abordar sua reforma reabriu o debate sobre um modelo que os municípios consideram “insustentável” para arcar com as competências e os serviços que prestam atualmente, enquanto persiste o debate sobre se o problema reside na falta de recursos ou na forma como estes são distribuídos.

A Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) vem reivindicando há anos uma atualização de um sistema que data de 2002. Seu secretário-geral, Luis Martínez-Sicluna, afirma que as prefeituras tiveram que se adaptar a uma realidade muito diferente daquela época e assumir novas demandas dos cidadãos sem que o financiamento tenha evoluído no mesmo ritmo.

“Nós, prefeituras, trabalhamos com os recursos provenientes de um sistema de financiamento local de 25 anos atrás. É uma situação realmente insustentável”, afirmou Martínez-Sicluna em declarações à Europa Press.

Segundo explicou, as prefeituras são a administração “mais próxima do cidadão” e a primeira a quem ele recorre para exigir soluções para problemas relacionados a áreas como habitação, serviços sociais, mobilidade, dependência ou gestão de resíduos. Serviços esses que, além disso, ficaram mais caros com o passar dos anos.

O DEBATE SOBRE AS COMPETÊNCIAS

Um dos principais pontos de discussão gira em torno das competências que as prefeituras exercem atualmente. A FEMP sustenta que tanto a legislação federal quanto a estadual vêm atribuindo novas responsabilidades aos municípios sem financiamento suficiente para assumi-las.

Por isso, a FEMP reivindicou uma revisão da Lei de Bases do Regime Local que permita esclarecer quais funções correspondem a cada administração e garantir que as competências exercidas pelas prefeituras contem com recursos adequados.

Nesse diagnóstico, coincide parcialmente o diretor executivo da Fundação de Estudos de Economia Aplicada (Fedea), Ángel de la Fuente, que considera que existem áreas em que a fronteira entre as competências regionais e locais não está claramente definida.

“Há competências em que a fronteira entre o autônomo e o local não é muito clara”, afirmou De la Fuente em declarações à Europa Press, que considera “lógico” abordar de forma coordenada a reforma de ambos os sistemas para delimitar melhor tanto as responsabilidades quanto o financiamento a elas associado.

MAIS DINHEIRO OU UMA MELHOR DISTRIBUIÇÃO?

Embora exista um amplo consenso sobre a necessidade de revisar o modelo, as diferenças surgem ao analisar qual é o principal problema de fundo.

A FEMP defende que os municípios precisam de mais recursos para arcar com os serviços que prestam e alerta especialmente para a situação dos pequenos municípios. Segundo ela, 87% dos municípios espanhóis têm menos de 5.000 habitantes, uma circunstância que encarece a prestação de serviços devido à dispersão territorial e ao envelhecimento da população.

No entanto, De la Fuente considera que a questão não passa necessariamente por aumentar o financiamento global. “Em geral, não acredito que os municípios estejam sem dinheiro, pois em alguns lugares há excesso e em outros falta. O que é preciso fazer é distribuí-lo melhor; essa deveria ser a prioridade da reforma”, resumiu.

Em sua opinião, a futura reforma deveria servir para corrigir desequilíbrios entre municípios com características semelhantes e avançar para uma distribuição mais homogênea dos recursos disponíveis. Nesse sentido, aponta para mecanismos de nivelamento semelhantes aos existentes no financiamento autônomo para reduzir as diferenças entre territórios.

As divergências quanto ao diagnóstico não impedem que tanto a FEMP quanto a Fedea coincidam em um ponto: o financiamento local e o autônomo estão intimamente relacionados.

Por isso, a federação municipalista rejeitou a intenção manifestada pelo Ministério da Fazenda de abordar primeiro a reforma autônoma e deixar a local para depois. Martínez-Sicluna defende que os fundos públicos devem ser analisados de forma conjunta para evitar que as prefeituras fiquem relegadas na distribuição de recursos.

“Os municípios não podem se resignar a receber o que sobrar depois que o modelo de financiamento autônomo for definido”, adverte.

AS DÚVIDAS SOBRE ESTA LEGISLATURA

Apesar de o debate ter sido reativado, as dúvidas sobre a possibilidade de a reforma se concretizar continuam presentes.

Martínez-Sicluna lembra que a legislatura entra em sua reta final e que a falta de maiorias parlamentares dificultou a aprovação de iniciativas relevantes nos últimos anos, pelo que, em sua opinião, “não garante” uma reforma dessa magnitude.

Uma visão compartilhada por De la Fuente, que também expressa suas “dúvidas” sobre as possibilidades de o processo seguir adiante. “Não sei se vamos ver isso nos próximos anos”, lamenta.

Enquanto isso, o financiamento local continua à espera de uma atualização que os municípios reivindicam há anos e que, quase um quarto de século após a aprovação do modelo vigente, ainda não tem data concreta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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