DAVID ZORRAKINO - EUROPA PRESS
Aplaude a postura do Governo espanhol e espera poder reunir-se com Sánchez dentro de alguns meses BARCELONA 31 jan. (EUROPA PRESS) -
O filho do prisioneiro palestino Marwan Barghouti — símbolo da resistência palestina que está preso por Israel desde 2002 —, Arab Barghouti, confiou em sua iminente libertação e defendeu que seu pai “participaria de qualquer função que trouxesse unidade ao povo palestino”.
Em entrevista à Europa Press em Barcelona, antes de participar na quinta-feira do Concert-Manifest x Palestina no Palau Sant Jordi, Arab Barghouti expressou esse desejo de libertação depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou, no final de outubro de 2025, pedir que Israel libertasse seu pai.
“A comunidade internacional, se realmente deseja reativar o processo político e trabalhar por um futuro melhor para a região, pela estabilidade e pela paz, precisa de uma liderança palestina que seja representativa do povo palestino, credível, legítima, e ele representa isso”, defendeu.
Ele explicou que o sonho de Marwan Barghouti é que as crianças palestinas vivam em paz e segurança, e acrescentou que, embora seu pai já seja um líder e não acredite que “precisa de um cargo para ser nomeado”, é o povo palestino que deve eleger seus líderes em eleições e em um processo democrático.
ISRAEL “NÃO QUER A PAZ” Marwan Barghouti, popularmente conhecido como o “Mandela palestino”, foi excluído dos quase 2.000 prisioneiros e detidos palestinos de Gaza e da Cisjordânia que foram libertados no âmbito do atual cessar-fogo que começou em outubro, e seu filho reconheceu que essa trégua foi “algo positivo”, mas que não era o cessar-fogo que esperavam, uma vez que os bombardeamentos continuam.
Ele criticou que Israel “claramente não quer a paz, e estas são suas palavras, eles são muito claros sobre o fato de que querem o domínio total sobre a terra, a limpeza étnica do povo palestino”, mas confia que chegará um momento em que a comunidade internacional estará convencida de pôr fim ao conflito e trazer paz e estabilidade à região.
Ele garantiu que o governo israelense tem “perseguido cada vez mais” seu pai desde que o conflito foi reacendido em 7 de setembro de 2023, pois ele foi novamente enviado para um regime de isolamento e, desde então, foi agredido sete vezes, a última delas em setembro de 2025, detalhou.
“Ele ainda sofre com a fratura de quatro costelas, perdeu 12 quilos e tem vários problemas de saúde. Mas, ao mesmo tempo, quando o advogado o viu pela última vez, há cerca de 15 dias, ele disse que continua muito forte mentalmente, que continua otimista em relação ao futuro, que continua sorrindo e que espera um futuro melhor”, destacando o espírito otimista de seu pai.
O PLANO DE PAZ DE TRUMP Arab Barghouti pediu que se ponha fim ao sofrimento do povo palestino: “Se isso vai acontecer através do Conselho de Paz, que aconteça. Se vai acontecer através de outros organismos, que aconteça”, afirmou quando questionado sobre como avalia o Plano de Paz promovido por Donald Trump.
Ele alertou que o que eles não aceitarão é que haja uma divisão entre Gaza e a Cisjordânia, e acrescentou que “esse é um dos objetivos do governo israelense neste momento, que é manter uma grande divisão e acabar com o sonho de ter uma entidade palestina e um Estado palestino”.
Ele também criticou o papel da UE, que acusou de ser “cúmplice do sofrimento palestino durante muitas e muitas décadas, não apenas nos últimos dois anos”, e de dar um tratamento especial a Israel, lembrando que em poucos dias sancionaram a Rússia quando invadiu a Ucrânia, mas não fizeram o mesmo com Israel. A POSIÇÃO DA ESPANHA
Arab Barghouti elogiou a postura do governo espanhol e a pressão exercida pela opinião pública espanhola, e apostou em construir pontes entre o povo palestino e o espanhol: “Sei que meu pai ficou muito grato quando soube da postura do governo espanhol e do impacto que teve em outros governos por ser tão clara em sua postura”, disse ele, aludindo ao reconhecimento do Estado palestino.
Ele também especificou que, em cerca de dois ou três meses, viajará a Madri, onde espera se reunir com representantes do Executivo espanhol e com o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de quem disse ser “um modelo a seguir para muitos palestinos”.
Questionado sobre como explica o apoio da sociedade israelense ao governo de Benjamin Netanyahu, Arab Barghouti afirmou que eles foram “lavados cerebralmente para acreditar que todos os palestinos são inimigos, e isso vem da mídia, de figuras como Netanyahu, que se alimenta do medo”.
Ele deseja que haja um despertar na sociedade israelense: “Eles têm duas opções: ou se tornam um Estado pária, isolado do mundo inteiro, porque o mundo está vendo seus crimes contra o povo palestino, ou decidem mudar seu governo e trazer um que acredite no processo político”.
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