Publicado 09/03/2026 09:56

O Festival de Málaga recebe as risadas cortadas pelo frio de 'Lapônia'

Photocall no Festival de Málaga do filme “Lapônia”
FESTIVAL DE MÁLAGA

MÁLAGA 9 mar. (EUROPA PRESS) - O diretor David Serrano apresentou nesta segunda-feira “Lapônia” na 29ª edição do Festival de Málaga, filme com o qual concorre na seção oficial. O cineasta madrilenho regressa ao certame de Málaga, onde triunfou com “El otro lado de la cama”, com uma comédia repleta de conflitos. Em “Lapônia”, Nuria decide convidar a sua irmã Mónica, o marido e o filho deles para celebrar um Natal de sonho na sua casa. O plano parece perfeito até que a menina conta ao primo que aquele homem de barba branca que supostamente deixa presentes para as crianças não existe. A noite acaba se transformando em uma batalha campal nesta comédia que traz à tona segredos inconfessáveis e levanta o debate sobre o que é mais adequado: contar a verdade a todo custo ou manter a ilusão, mesmo que seja com base em mentiras.

A coletiva de imprensa no cinema Albéniz contou com a presença do diretor David Serrano, acompanhado por Natalia Verbeke, Julián López, Ángela Cervantes e Vebjorn Enger, atores, além do produtor Javier Méndez.

Foi um longa-metragem de estreias para David Serrano: “É o primeiro filme que dirijo que não escrevi e é o primeiro que faço por encomenda”. Lapônia chegou a ele “pelas mãos de Javier Méndez, que viu uma peça de teatro que achou que poderia ser transformada em filme e encomendou aos roteiristas, também autores da peça, que fizessem uma versão para o cinema. Ele me passou o roteiro e, sinceramente, adorei”, confessou o cineasta. Dois casais trancados em uma casa discutindo acaloradamente sobre o que, a princípio, parece superficial, mas acaba sendo profundo. A peça teatral já tinha ecos de “Um Deus Selvagem”, da dramaturga Yasmina Reza, que Roman Polanski levou ao cinema. “No momento em que Javier me enviou o roteiro e eu o li, fui imediatamente rever o filme de Polanski”, reconheceu David Serrano.

Mas “Lapônia”, ao contrário de “Um Deus Selvagem”, reduz muito a dose de violência: “Acho que já chegamos a um ponto de violência muito alto”, mas “se eles tivessem trocado socos, acho que teria dificultado muito o final”, explica o cineasta madrilenho. Porque o filme espanhol pretende ser “conciliador”, nas palavras de Julián López, um dos protagonistas. Partindo de uma peça de teatro e, depois, de um roteiro, que os atores e o diretor concordam em classificar como “muito bom”, nas semanas de ensaios que desfrutaram, eles o transformaram um pouco. “Nós cinco trabalhamos o texto durante essas quatro semanas de ensaios, principalmente na primeira semana. E, sendo muito fiéis ao que Marta Buchaca e Cristina Clemente escreveram, tentamos de alguma forma que o filme também fosse um pouco nosso”, explicou David Serrano.

“Sim, o bom é que tivemos muito tempo para ensaiar e interiorizar todos esses textos, que, na verdade, muitas vezes tornamos nossos. O que acontece é que está tão bem escrito, e quando um texto está tão bem escrito, é mais fácil memorizá-lo. Porque o corpo já pede isso diretamente”, compartilhou a atriz Natalia Verbeke, que já trabalhou antes com Davis Serrano. Ambos triunfaram no Festival de Málaga com “El otro lado de la cama” em 2002. Se há um esforço inegável em “Lapônia”, é o do ator norueguês Vebjorn Enger, que além de atuar em espanhol teve que aprender um pouco de finlandês: “E eu quis aprender espanhol. Eu quis tentar ter uma carreira aqui na Espanha e também sonho em fazer cinema e teatro no mundo hispânico em geral”, detalhou o próprio Enger. “Todos elogiam o trabalho de Vebjorn, mas eu tive que deixar para trás meu sotaque manchego por um castelhano”, brincou Julián López. O ator foi mais sério ao falar sobre a mentira, um dos temas de 'Lapônia': “Viva a mentira. Eu defendo a mentira como algo necessário para não ferir e proteger”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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