Rocío Ruz - Europa Press - Arquivo
SEVILHA 23 ago. (EUROPA PRESS) -
O delegado do Governo da Espanha na Andaluzia, Pedro Fernández, repreendeu o presidente do Governo Regional, Juanma Moreno, por sua “desinformação, ignorância e desrespeito” em relação ao trabalho realizado pelas Forças e Órgãos de Segurança do Estado (FCSE) no combate ao tráfico de drogas, depois que o líder regional enviou, neste domingo, uma carta ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, para exigir a reativação da unidade de elite da Guarda Civil especializada no combate ao tráfico de drogas na Andaluzia (OCON-Sul).
Por meio de um comunicado enviado à imprensa, Fernández defendeu a eficácia da atuação da Polícia Nacional e da Guarda Civil e destacou que Moreno está “menosprezando” as decisões operacionais adotadas por ambos os órgãos, entre elas a reestruturação da OCON-SUR.
“Em sua tentativa de desviar a atenção de sua ausência, durante semanas, em meio aos incêndios e terremotos que estão afetando a Andaluzia, Moreno enviou uma carta ao presidente do Governo na qual menospreza as decisões operacionais adotadas pela Polícia Nacional e pela Guarda Civil em sua ação contra os grupos criminosos, entre as quais se encontra a reestruturação do OCON-SUR”, explicou.
O delegado do Governo também considerou “chamativo” que Moreno reconheça a necessidade de abordar a luta contra os grupos criminosos de maneira abrangente, “além da atuação policial, para combater o apoio social que alimenta essas organizações”. Em sua opinião, essa afirmação evidencia a “incapacidade” do governo andaluz de adotar medidas nas áreas de emprego, educação, moradia e integração social que “melhorem as condições de vida da população e ofereçam alternativas às atividades ligadas ao tráfico de drogas”, destacou.
MAIS DE 190 MILHÕES DESTINADOS AO PLANO ESPECIAL
Além disso, o delegado do Governo lembrou que uma das primeiras medidas adotadas por Pedro Sánchez após sua chegada à Moncloa foi a implementação, em 2018, do Plano Especial de Segurança para o Campo de Gibraltar, que definiu como a primeira estratégia policial contra o tráfico de drogas adotada em democracia e uma “ferramenta pioneira” na Europa por sua abordagem global e multidisciplinar.
Conforme detalhou, no âmbito desse plano, o Governo da Espanha destinou mais de 190 milhões de euros ao reforço do quadro de pessoal, à aquisição de recursos e tecnologia específica contra o tráfico de drogas, ao aumento da especialização e da capacitação, e ao desenvolvimento de estratégias internacionais. Para 2026, indicou ele, o Executivo destinará 38,2 milhões de euros ao Plano Especial, 1,3 milhão a mais do que em 2025.
Por outro lado, Fernández destacou que a atuação das FCSE “não se limita à apreensão de drogas”, mas também “busca desmantelar as estruturas logísticas e econômicas que sustentam a atividade dos grupos criminosos, por meio da coordenação com diversos órgãos governamentais e entidades internacionais na elaboração de estratégias para o desmantelamento dos grupos de traficantes de drogas”.
Esse reforço foi acompanhado, segundo ele informou, por um aumento do efetivo da Polícia Nacional e da Guarda Civil na Andaluzia para “reverter os cortes realizados durante os mandatos do PP”. Atualmente, a região conta com cerca de 30.500 agentes de ambos os corpos, 4.096 a mais do que em 2018.
CERCA DE 48.000 OPERAÇÕES POLICIAIS
O delegado do Governo na Andaluzia defendeu a eficácia do Plano Especial de Segurança com base nos resultados acumulados desde sua implementação. Conforme expôs, nesse período, as Forças de Segurança Cívica (FCSE) registraram 47.862 operações policiais e 31.335 detidos ou investigados.
Além disso, ele informou que foram registradas 47.862 operações policiais, 31.335 detidos ou investigados, 2.179.973 kg de drogas apreendidas, 1.909.715 plantas de maconha apreendidas e destruídas, 1.884 armas de fogo apreendidas, 124,44 milhões de euros em dinheiro apreendidos, 9.728 veículos apreendidos e 2.146.127 litros de gasolina apreendidos.
OCON-SUR, UMA ESTRUTURA REORGANIZADA EM 2022
Com relação ao OCON-SUR, Fernández explicou que se tratava inicialmente de uma estrutura temporária criada para atender, de forma provisória, às necessidades do primeiro Plano Especial de Segurança.
Em setembro de 2022, destacou ele, essa estrutura se transformou em um dispositivo permanente, com todos os seus integrantes incorporados ao quadro de pessoal da Guarda Civil, com o objetivo de oferecer uma resposta “melhor adaptada às dinâmicas dos grupos criminosos”.
Por isso, o delegado do Governo considerou que as declarações de Moreno sobre essa questão “carecem de rigor” e demonstram uma “absoluta falta de conhecimento” das decisões operacionais adotadas pela Guarda Civil. Assim, Fernández insistiu que os resultados obtidos pelas FCSE endossam a estratégia implementada pelo Governo central e defendeu que a luta contra o tráfico de drogas deve combinar a ação policial com medidas voltadas para combater as condições sociais e econômicas que favorecem o estabelecimento de organizações criminosas.
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