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MADRID 20 abr. (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente do Governo Felipe González exigiu nesta segunda-feira um calendário eleitoral “claro” na Venezuela e o retorno seguro ao país da líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, após criticar duramente as autoridades interinas de Caracas, às quais repreendeu por não estarem promovendo uma transição democrática.
“Já é tarde para definir um cronograma eleitoral”, insistiu o ex-líder socialista durante o café da manhã informativo do Fórum Europa em Madri, onde enfatizou que a Venezuela deve ter um horizonte “claro” e saber “para onde vai” politicamente, insistindo, por sua vez, que “tanta criminalidade organizada” deve desaparecer.
REIVINDICA UMA AMNISTIA DE VERDADE, NÃO JULGADA POR “ÓRGÃOS ILEGÍTIMOS”
Sobre as autoridades interinas na Venezuela, ele criticou o fato de falarem de uma “nova era”, mas não enfrentarem uma transição democrática, ao mesmo tempo em que lamentou que a amnistia proposta não inclua militares e seja apresentada como um “indulto parcial”. Solicitou, assim, uma anistia “verdadeira”, que não seja julgada por “órgãos ilegítimos”, que seja “para todos” e que tenha como limites os crimes “contra a humanidade e o narcoterrorismo”.
Nesse sentido, denunciou que a única violência enfrentada na Venezuela é a de um “regime ditatorial”, em referência ao sistema “chavista” que continua em vigor depois que Delcy Rodríguez assumiu a Presidência interinamente, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro.
“Desejo que María Colina retorne com garantias absolutas de segurança. Esse é o meu desejo, e que junto com ela retornem os exilados que não estão incluídos na anistia”, exigiu Felipe González, que aprofundou dizendo que “os passos estão claros” para o futuro e agora Machado “tem que enfrentar esses passos com os interlocutores”, em referência aos Estados Unidos.
Diante de Machado, o ex-presidente espanhol elogiou sua liderança, insistindo que “ela não é mercenária”, e citou outras figuras como Edmundo González, candidato à presidência após Machado ter sido impedida de concorrer às eleições.
ELA NÃO LUTOU DE FORMA MERCENÁRIA E SACRIFICOU TUDO
“María Corina, você merece o Prêmio Nobel por sua luta pela liberdade e o merece ainda mais porque nunca lutou de forma mercenária em benefício próprio. Você sacrificou tudo: a família, a segurança, seu bem-estar, sua liberdade. Há poucos, poucos casos em que isso seja tão claro e tão relevante”, destacou.
Da mesma forma, ele enfatizou que a luta pela liberdade “não é patrimônio de uma ideologia” e depende da “profunda convicção” nos “valores da democracia”.
González apresentou Machado neste evento, que contou com a presença da cúpula do Partido Popular, liderada pelo presidente Alberto Núñez Feijóo, e reuniu também o prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, além de outras figuras políticas como Iván Espinosa de los Monteros ou Javier Ortega Smith, ex-líderes do Vox.
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