Publicado 12/07/2026 06:12

Feijóo vai lutar com sua lei do feto porque o PP acredita que conta com “o apoio da população”

'Gênova' critica o fato de a esquerda se revoltar agora, quando o PP aprovou a medida em seu congresso de 2025 e Feijóo promoveu uma lei semelhante em 2011

Archivo - Arquivo - O presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, discursa durante um evento após a reunião do comitê de direção nacional do PP, no Hotel Grand Marina, em 12 de janeiro de 2026, em Barcelona, Catalunha (Espanha). Esse encontro na
Kike Rincón - Europa Press - Arquivo

MADRID, 12 jul. (EUROPA PRESS) -

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, vai lutar pela sua lei do feto porque, segundo os “populares”, a defesa da família faz parte da ideologia do partido e, de fato, esse mesmo termo já havia sido incluído na Declaração Política aprovada no congresso nacional que o PP realizou em julho de 2025, em Madri.

“Essa lei é coerente com nossa trajetória política. E nas ruas contamos com o apoio da maioria, por isso estamos tranquilos”, afirmaram à Europa Press fontes da equipe de Feijóo, após as duras críticas a Feijóo por parte de formações de esquerda, que veem a medida como “um ataque aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher” e acusam o PP de adotar os postulados da extrema direita.

Especificamente, Feijóo apresentou esta semana um projeto de lei nacional para que o feto tenha “repercussão econômica e social”, em linha com a lei promovida na Comunidade de Madri pelo governo de Isabel Díaz Ayuso. Em “Gênova”, sustentam que se trataria de uma norma de apoio às famílias para “apoiar a maternidade, favorecer a conciliação” e para que “na Espanha, ter filhos deixe de ser um ato heróico”, nas palavras de seu porta-voz nacional, Borja Sémper.

O TERMO “FETO” JÁ FOI INCLUÍDO NA RESOLUÇÃO DO PP

Fontes da direção nacional do PP destacaram que o partido já havia abordado a questão do “concebido não nascido” na Resolução Política do congresso nacional realizado há um ano em Madri, no qual Feijóo foi reeleito presidente do partido.

“Acreditamos que o ‘concebido não nascido’ deve ser levado em consideração para o acesso a benefícios familiares”, diz textualmente esse documento programático, no capítulo intitulado ‘A família: nossa prioridade’.

Segundo o PP, “qualquer mulher que queira ser mãe ou tenha dúvidas, sobretudo se for jovem, deve ser ajudada” e eles vão “defender a vida”. “Dizem-nos que as famílias são espaços opressivos, os homens um inimigo em potencial e os filhos um obstáculo ao empoderamento feminino. Vamos desmentir esses disparates e reivindicar a família como base da sociedade, pois isso também significa elaborar políticas de natalidade”, acrescenta.

Além disso, o PP ressalta nesse documento que a natalidade “deveria ocupar um lugar central na agenda política”. “Quem é que ficaria chocado com o fato de o PP defender as famílias e a natalidade? Onde está o ponto transgressivo?”, questionam com ironia fontes da equipe de Feijóo, diante das duras críticas de formações como o Podemos ou o Sumar.

FEIJÓO JÁ PROMOVEU UMA LEI NA GALÍCIA EM 2011

Em “Gênova”, insistem que a lei anunciada por Feijóo é “consistente” com sua linha ideológica, pois na Galícia, quando era presidente da Xunta, ele já havia promovido, há 15 anos, uma lei que apontava nessa direção para amenizar o declínio demográfico.

Mais especificamente, o artigo 10 da Lei 3/2011, de 30 de junho, de apoio à família e à convivência na Galícia, estabelece, ao se referir às famílias numerosas, que “será considerado descendente o filho ou a filha concebido(a), desde que, por meio da aplicação dessa equiparação, se obtenha maior benefício”.

Depois que Feijóo anunciou sua intenção de promover uma lei federal, o presidente da Xunta, Alfonso Rueda, ressaltou que na Galícia já existem, desde que Feijóo governava lá, benefícios para os concebidos mas não nascidos “sem a necessidade de uma lei”, uma vez que, do ponto de vista da Galícia, isso não é “necessário”.

A LEI DE AYUSO VAI ALÉM DA LEI GALEGA

No entanto, com a lei promovida pelo governo de Isabel Díaz Ayuso, a Comunidade de Madri tornou-se a primeira região da Espanha a estabelecer o reconhecimento geral do feto e não se limitou exclusivamente às famílias numerosas, como ocorre na Galícia.

Mais especificamente, a Assembleia de Madri aprovou no último dia 2 de junho, com os votos do PP e do Vox, uma lei que reconhece o feto como mais um membro da unidade familiar no que diz respeito ao acesso a auxílios públicos.

Assim, essa nova norma poderá ser aplicada em Madri desde que a gravidez seja comprovada. Dessa forma, as famílias terão os mesmos benefícios e direitos na concessão de auxílios que utilizam como critério a renda da unidade familiar: entre eles, bolsas de estudo para o ensino médio, para o primeiro ciclo da Educação Infantil em instituições particulares, auxílio-merenda escolar, vale-transporte ou auxílio-aluguel para jovens. Isso também se estenderá aos auxílios fiscais, como a dedução no imposto de renda ou por despesas escolares.

AINDA EM FASE DE ELABORAÇÃO

A direção do PP, que está trabalhando na apresentação de sua alternativa para as próximas eleições gerais, ainda não preparou um rascunho da lei nacional do feto, na qual trabalharão as Vice-secretarias de Política Social e Regeneração Institucional, dirigidas por Carmen Fúnez e Cuca Gamarra, respectivamente, segundo fontes do partido.

Os “populares”, que afirmam que essa norma não precisa necessariamente se chamar “lei do nascituro”, também terão que definir se essa condição para ter acesso a benefícios econômicos se estabelece a partir do momento da fecundação ou mais tarde, uma vez ultrapassado o prazo de 14 semanas estabelecido pela lei para a interrupção voluntária da gravidez, segundo as fontes consultadas.

De qualquer forma, em “Gênova” deixam claro que se trata de uma norma que visa apoiar as famílias que vão ter um filho. “Apoia-se os pais do bebê, que terão um grande desafio logístico pela frente. Esse tipo de debate não nos incomoda”, afirmam fontes da cúpula do PP, que acreditam contar com o apoio majoritário da sociedade diante da necessidade de aumentar a natalidade na Espanha.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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