Carlos Luján - Europa Press
Ele considera que os relatórios que o governo vai publicar sobre a crise em Ceuta serão “censurados”
MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, prometeu nesta terça-feira “fortalecer” a fronteira da Espanha caso receba informações de que possa ocorrer uma possível “invasão” como a que aconteceu em Ceuta no final de julho. Além disso, ele garantiu que deseja manter um “bom relacionamento” e ser “leal” ao Marrocos caso chegue à Moncloa, mas, para isso, o país vizinho precisa “respeitá-lo” e ser “leal” a ele também.
Em entrevista à ‘Antena 3’, divulgada pela Europa Press, Feijóo indicou que, se governar, dará “todos os meios aos Serviços de Inteligência” da Espanha para que o alertem sobre o que está ocorrendo, assim como, em sua opinião, “alertaram” o governo de Pedro Sánchez diante da entrada em massa de imigrantes em Ceuta há 40 dias.
“Vou dar ouvidos aos Serviços de Inteligência. E eu, se tiver que agir e aplicar o artigo 8º da Constituição, o farei. É para isso que ele serve. E o artigo 8.º da Constituição estabelece que cabe às Forças Armadas — ao Exército de Terra, à Força Aérea e à Marinha — garantir a integridade territorial do nosso país”, destacou.
Nesse sentido, ele insistiu que é preciso “fortalecer a fronteira” caso haja “informações de que possa haver uma invasão ordenada por meio das redes sociais”, coincidindo com a Festa do Trono em Marrocos, e que “as condições meteorológicas” também sejam propícias para que “muitas pessoas possam entrar nadando em Ceuta”. Caso ele estivesse no governo, deixou claro que agiria: “E o farei com o máximo respeito a Marrocos, mas com o máximo respeito ao meu país”.
DENUNCIA QUE NÃO SE PERMITA A COMPARECIMENTO DA DIRETORA DO CNI
Mais uma vez, o líder da oposição reclamou que não se “permita” que a diretora do Centro Nacional de Inteligência (CNI), Esperanza Casteleiro, compareça perante a Comissão de Segredos Oficiais do Congresso.
“Trata-se de uma crise de Estado e o Serviço de Inteligência deve prestar informações em regime de sigilo na Comissão de Segredos Oficiais do Congresso dos Deputados. A ministra da Defesa se recusa a dar instruções e a facilitar essa comparecência e, é claro, o presidente do Governo também”, criticou.
Ao ser questionado sobre os relatórios relativos à crise de Ceuta que o Governo irá desclassificar nesta terça-feira, Feijóo previu que esses relatórios “estão censurados”. “Quem diz que não podem ser divulgados, diz que não podem ser divulgados”, afirmou, acrescentando que ele “confia muito mais” na investigação conduzida pela Audência Nacional sobre um “crime contra a integridade territorial” da Espanha.
Questionado se o PP elabora ‘listas negras’ — depois que o ‘El Confidencial’ publicou que o Ministério do Interior elaborou um dossiê secreto com dezenas de jornalistas fichados por sua ideologia —, Feijóo respondeu: “A verdade é que não, garanto isso”. Dito isso, ele acrescentou que é “muito interessante” que o Executivo tenha “mais informações sobre os jornalistas espanhóis do que sobre o que poderia acontecer em caso de uma invasão marroquina”.
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