César Vallejo Rodríguez - Europa Press
MADRID, 26 jul. (EUROPA PRESS) -
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, quer que os dirigentes de seu partido se empenhem em destacar aos cidadãos que a Espanha “está pior” do que há três anos, quando foram realizadas as últimas eleições gerais, e que o governo de Pedro Sánchez “decepcionou o povo”, conforme indicaram à Europa Press fontes da cúpula do partido.
O próprio Feijóo já havia apontado nessa direção nesta semana, em seu balanço de fim de mandato, ao afirmar que já são “oito anos de deterioração progressiva que, a esta altura, é impossível de esconder”. Por isso, ele afirmou que Sánchez “não merece outra coisa senão a maior punição eleitoral, pois tem sido uma desgraça para este país”.
Além de denunciar os casos de suposta corrupção que afetam o círculo do governo e do PSOE, Feijóo deu instruções aos seus para que coloquem o foco nos problemas das pessoas e em como as políticas do Executivo de coalizão do PSOE e do Sumar não melhoraram sua vida cotidiana.
“O governo falhou com o povo em questões muito concretas. E há uma grande parte de seu eleitorado que está insatisfeita”, afirmaram à Europa Press fontes da equipe do líder do PP, que criticaram a ausência de qualquer tipo de protesto por parte da esquerda contra uma política econômica que, em sua opinião, “tem mais de maquiagem do que de realidade”.
De olho nas eleições gerais —que a cúpula do PP não descarta que possam ser antecipadas—, fontes de “Gênova” adiantaram que vão “insistir fortemente” nos próximos meses no “fracasso” de Sánchez na questão da habitação, em seu “inferno fiscal” ou no “aumento da insegurança”. Também denunciarão o “empobrecimento da classe média” ou o fato de que, na Espanha, o custo da cesta básica está “disparado”.
No PP, prevê-se que Pedro Sánchez tentará retratar uma Espanha “idílica” e “irreal” no balanço do ano político que fará na terça-feira, 28 de julho, no Palácio da Moncloa. Por isso, a equipe de Feijóo se prepara para refutar essas mensagens e transmitir à população como a situação da Espanha “piorou” nos últimos anos.
REÚNE DADOS PARA REFUTAR O OTIMISMO DO GOVERNO
Com esse objetivo, o PP compilou dados que, em sua opinião, desmentem a ideia de que a Espanha esteja melhor agora do que há três anos. Em primeiro lugar, eles mencionam a moradia, que se tornou o principal problema dos espanhóis, de acordo com o barômetro do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS).
“A moradia se tornou um luxo: o aluguel está 65% mais caro e a compra, 60% mais cara”, afirmam fontes do PP, que destacam ainda como, apesar da greve dos médicos, o governo está há meses “sem fazer nada” e há “mais de quatro milhões de pessoas com consultas e cirurgias canceladas”.
No que diz respeito à imigração, o PP enfatizará nos próximos meses que a imigração irregular está “fora de controle” e que há “quase quatro vezes mais entradas irregulares do que em 2018”. O partido de Feijóo tem se mostrado muito crítico em relação ao processo de regularização extraordinária iniciado pelo governo, que “ultrapassa um milhão de pessoas”.
Os “populares” também enfatizarão que há “mais insegurança”. “As agressões sexuais com penetração triplicaram” e a cada dia ocorrem “mais 19 crimes contra a liberdade sexual”, conforme afirmou publicamente o próprio Feijóo na última quarta-feira.
CABAÇA DE COMPRAS “DISPARADA” E “INFERNO FISCAL”
No capítulo econômico, o PP destacará que o cesto de compras está “disparado” porque, nas palavras do líder do Partido Popular, “isso se mede na geladeira e os alimentos subiram 43%”. Além disso, denunciará o “inferno” tributário de Sánchez e que a Espanha “é o país onde a pressão fiscal cresce mais”, que estima em mais de 2,9%, enquanto na UE ela diminui (-0,7%).
Além disso, o PP ressaltará que o salário médio líquido real “caiu 3,4%” e que o salário médio dos menores de 35 anos “já é inferior à aposentadoria média dos novos aposentados”, segundo fontes do PP, que consideram que a Espanha está “mais distante da Europa” porque perdeu “convergência real per capita”. Também destacará as infraestruturas como outro “ponto de deterioração”, já que, em sua opinião, o “déficit de investimento” chega a 300 bilhões de euros.
Feijóo quer que seus representantes acompanhem suas críticas com uma mensagem positiva, como fez nesta semana. “Olhando para o futuro, temos a notícia mais animadora: para o governo, o pior ainda está por vir e a Espanha terá o melhor, a mudança que por fim encerrará de uma vez por todas uma legislatura que nunca deveria ter começado”, afirmou no dia 22, acrescentando: “Não vamos falhar”.
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