Eduardo Parra - Europa Press
“Gênova” acredita que Sánchez, com essa regularização, “alimenta” o Vox e avisa que isso pode “penalizar” os socialistas MADRID 27 jan. (EUROPA PRESS) -
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, levará à cúpula do Partido Popular Europeu (PPE), que se realizará nos dias 30 e 31 de janeiro em Zagreb (Croácia), sua rejeição à regulamentação extraordinária de migrantes aprovada pelo governo de Pedro Sánchez e que os “populares” consideram contrária ao pacto europeu de imigração, segundo indicaram fontes do partido.
Concretamente, o Conselho de Ministros aprovou esta terça-feira o início do processo de urgência de um decreto real para a regularização extraordinária de mais de meio milhão de estrangeiros que se encontram em Espanha, após um pacto entre o PSOE e o Podemos. Desta forma, o procedimento não terá de passar pelo Parlamento, onde se encontra bloqueada a Iniciativa Legislativa Popular (ILP) que pretendia regular este processo.
O Partido Popular considerou “frívolo” que o governo “tenha pegado um projeto que está engavetado há 19 meses” para evitar falar dos acidentes ferroviários em Adamuz (Córdoba) e Gelida (Barcelona), que custaram a vida a 46 pessoas. “O governo continua a banalizar questões importantes. Ele traz isso neste momento para tentar encobrir o que todos os espanhóis estão falando. É seguro pegar um trem hoje?", questionou a porta-voz do Grupo Popular, Ester Muñoz. O PP ALERTA PARA UM POSSÍVEL "EFEITO CHAMADA" O PP considera que essa regularização de migrantes pode provocar um "efeito chamada". “Esse efeito chamada é inegável, porque ninguém diz que não pode haver uma regularização em massa em seis meses”, alertam fontes da direção do PP. Em Génova, apontam ainda que a imigração é um “vetor de voto fundamental para a esquerda” e que este tipo de propostas pode dar argumentos aos eleitores insatisfeitos do PSOE para se afastarem e apoiarem outros partidos. Na sua opinião, esta regularização “pode penalizar” o PSOE. “Efeito chamada, bairros tensos e serviços públicos no limite: o preço de salvar Óscar Puente”, afirmou esta segunda-feira a vice-secretária de Coordenação Setorial do PP, Alma Ezcurra, que coordenou há alguns meses a proposta migratória do partido a pedido de Feijóo.
Além disso, no PP sustentam que, com este tipo de propostas, o Governo de Pedro Sánchez “alimenta o Vox”. No entanto, os “populares” dizem não estar preocupados com a subida de Santiago Abascal nas sondagens — precisamente por questões como a imigração — e acreditam que esse voto “está melhor no Vox do que no PSOE”, segundo fontes da direção do PP.
O PP ANALISARÁ O TEXTO COM “ESPÍRITO CRÍTICO” A formação de Santiago Abascal já anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal contra o decreto real para a regularização extraordinária de migrantes, um recurso no qual solicitarão a “suspensão imediata” de qualquer regularização, nas palavras de sua porta-voz parlamentar, Pepa Millán.
Por enquanto, os “populares” não planejam nenhum tipo de iniciativa judicial porque o primeiro passo, segundo fontes do partido, é analisar o texto aprovado pelo Conselho de Ministros com “espírito crítico”.
Em Génova, consideram que Sánchez está a dar passos na direção contrária a outros países europeus e, de facto, alertam que a regularização de migrantes promovida pelo governo de coligação do PSOE e Sumar é contrária ao pacto europeu de imigração.
Os “populares” sublinham que os imigrantes que vão ser regularizados podem acabar noutros países da UE e já anunciam que este será um dos temas que Feijóo levará à cimeira que o PPE celebra esta sexta-feira e sábado na Croácia, segundo fontes do partido.
Lá, o presidente do PP se reunirá com outros líderes europeus, como o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro grego, Kyriákos Mitsotákis, ou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, todos membros da família do Partido Popular Europeu (PPE).
Nessa reunião do PPE na Croácia, os populares europeus também tratarão, a pedido do Partido Popular espanhol, da situação da Venezuela e debaterão “as condições” que Feijóo propôs para “poder apoiar o acordo do Mercosul”, segundo fontes do PP. FEIJÓO CONSIDERA “ABSURDA” A POLÍTICA MIGRATÓRIA DE SÁNCHEZ
Feijóo considera que a política migratória de Sánchez é “tão absurda quanto a ferroviária” e sustenta que, com essa “regularização em massa” para “desviar a atenção” do acidente de Adamuz, vai “aumentar o efeito chamada e sobrecarregar” os serviços públicos.
“Na Espanha socialista, a ilegalidade é recompensada”, afirmou o líder da oposição nesta segunda-feira em sua conta no 'X', onde também adiantou que, se governar, mudará a política de imigração “de cima a baixo”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático