Marta Fernández - Europa Press
BRUXELAS, 19 mar. (EUROPA PRESS) -
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, denunciou nesta quinta-feira, em Bruxelas, o “desvio” do governo de Pedro Sánchez na política externa e criticou seu “confronto unilateral” com o governo dos Estados Unidos em plena crise internacional causada pela guerra no Irã.
“Tenho percebido uma preocupação com o desvio do governo do meu país”, afirmou em declarações à imprensa após participar da reunião do Partido Popular Europeu (PPE), prévia ao Conselho Europeu dos dias 19 e 20 de março, onde se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, entre outros líderes europeus.
Nesse sentido, Feijóo alertou que o Executivo está gerando tensões com parceiros-chave em um momento de elevada instabilidade geopolítica, ao considerar que “um membro da União Europeia não pode tentar utilizar um confronto unilateral contra o governo norte-americano para angariar votos em seu país”.
“As nações devem estar sempre acima dos líderes ou dos governos que, a cada momento, administram ou governam cada país. Nenhum líder pode se considerar no direito de transformar a ação externa ou a ação comunitária em um interesse partidário ou pessoal”, sublinhou.
CRITICA A POLÍTICA EXTERNA “ABSURDA” DE SÁNCHEZ
Segundo ele, a União Europeia é uma região “que tem muito claro quem são seus aliados”, pelo que tem o direito de “manter-se neutra” se algum deles decidir “agir em algum lugar do mundo” sem acordo prévio, conhecimento ou explicação perante o bloco.
Nesse contexto, o líder da oposição destacou que a política externa do governo é “absolutamente absurda” e “incompatível com os interesses da União Europeia e com os interesses da Espanha”.
“A Espanha precisa deixar de ser um problema para a União Europeia”, insistiu, ao mesmo tempo em que criticou o fato de o Executivo estar “muito mais interessado em manter boas relações com o regime venezuelano do que em ter uma relação respeitosa com o governo norte-americano”.
Em sua opinião, a UE deve responder com “firmeza, unidade e ambição” diante dos conflitos internacionais e confrontar o regime iraniano, que ele descreveu como “uma péssima notícia para a liberdade, para o respeito aos direitos humanos e para a convivência pacífica no Oriente Médio”.
“Não podemos fingir que não vemos quando os direitos humanos vêm sendo violados há décadas no Irã”, afirmou, insistindo na necessidade de apostar na “negociação, na diplomacia e no diálogo” como vias para resolver o conflito.
“NÃO PRECISAMOS DE EXERCÍCIOS DE NARCISISMO, MAS DE REALISMO”
Nesse sentido, ele destacou que a Europa não “pode ficar estagnada na melancolia” e deve agir com coerência diante das tensões internacionais, reforçando seu papel no cenário global e priorizando sua autonomia estratégica.
“Não precisamos de exercícios de narcisismo, mas sim de exercícios de realismo, e nenhuma sociedade pode ser livre se perder sua autonomia energética, militar ou comercial; portanto, a UE é chamada a ser coerente com a situação de conflitos que estamos vivendo no mundo”, destacou.
Após sublinhar que a Espanha “tem de deixar de ser um problema para a União Europeia”, afirmou ter pedido aos parceiros europeus “lealdade” para com a Espanha, pois “o facto de não concordarem com o governo espanhol não significa que não haja uma alternativa na Espanha”. Segundo ele, as nações estão acima de quem as preside em cada momento.
Por fim, o presidente do PP indicou que o Acordo UE-Gibraltar afeta a soberania da Espanha e, por isso, deve ser submetido à apreciação e votação no Congresso dos Deputados.
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