David Zorrakino - Europa Press - Arquivo
Os "populares" esperam que o congresso do PPC sirva para consolidar o partido como uma "alternativa" à esquerda e ao movimento independentista
MADRID, 31 maio (EUROPA PRESS) -
O PP de Alberto Núñez Feijóo está decidido a ampliar a presença do partido na Catalunha com vistas às próximas eleições e considera que pode tirar proveito da desconfiança que gera no eleitorado o atual “calvário” judicial que aguarda o PSOE de Pedro Sánchez e seu círculo familiar, segundo informaram à Europa Press fontes do PP catalão e nacional.
Em sua estratégia para que o PPC ganhe terreno na Catalunha, “Gênova” tem duas datas-chave marcadas no calendário deste mês: No dia 2 de junho, Feijóo participará da 41ª reunião do Cercle d'Economía, que nesta edição tratará da autonomia estratégica europeia; e no dia 27 será realizado o congresso do PPC para reeleger Alejandro Fernández como presidente e definir o roteiro do partido.
Fontes da equipe de Feijóo adiantaram que o líder do PP e os dirigentes do partido terão “maior presença” na Catalunha nos próximos meses, mas também no País Basco. Segundo argumentam, em ambas as comunidades autônomas “há um eleitorado de centro-direita que não quer um governo corrupto”.
“Há margem de crescimento nessas comunidades autônomas e uma janela de oportunidade quando há um bloco que precisa se distanciar do que está ocorrendo”, assinalam em ‘Génova’, em alusão aos casos de corrupção que “assediavam” Pedro Sánchez.
Na direção do PP, lembram ainda que perderam cadeiras em Girona e Lleida por poucos votos e destacam que, se houver capacidade de crescimento, é preciso ir atrás desses deputados nas próximas eleições gerais, conforme ressaltam as mesmas fontes.
Nas eleições gerais de julho de 2023, dos 48 assentos em disputa, os socialistas conquistaram 19 no Congresso, enquanto o PP obteve apenas seis, apesar de ter ganhado quatro em relação a 2019. Quase um ano depois, nas eleições regionais de maio de 2024, o PP passou a ser a quarta força política no Parlamento da Catalunha, passando de 3 para 15 cadeiras — ultrapassando o Vox, que se manteve em 11 —, mas ainda longe das 42 cadeiras do PSC ou das 35 do Junts.
NA TERÇA-FEIRA, FEIJÓO ESTARÁ COM A COMUNIDADE EMPRESARIAL CATALÃ
Em “Gênova”, afirmam que, no encontro com a classe empresarial catalã — o Cercle realiza esses encontros em Barcelona entre 1º e 3 de junho no Palau de Congressos —, Feijóo irá “apresentar a Espanha que está por vir e o que fará se governar”, indicam à Europa Press fontes de sua equipe.
Nos últimos meses, o líder do Partido Popular escolheu a Catalunha para dar visibilidade à sua alternativa e apresentar publicamente algumas de suas propostas em matéria de imigração, fiscalidade ou habitação, assuntos nos quais, segundo o PP, o governo de Salvador Illa está paralisado.
CONGRESSO DO PPC PARA ATIVAR A MÁQUINA ELEITORAL
O segundo compromisso importante para o PP em junho será o congresso do PPC, marcado para o dia 27, no qual se prevê que o partido reeleja Alejandro Fernández como presidente, uma vez que sua relação com Feijóo tenha se acalmado e sido reorientada. Nessa tarefa, Miguel Tellado e Cayetana Álvarez de Toledo tiveram um papel fundamental, segundo fontes do Partido Popular.
“Feijóo quer ter o partido na Catalunha preparado”, afirma à Europa Press um membro do PPC, que destaca que essa comunidade é fundamental para chegar ao Palácio da Moncloa devido ao elevado número de deputados que ela distribui no Congresso.
Alejandro Fernández adiantou que apresentará sua candidatura a este congresso (o último foi realizado em novembro de 2018) porque quer que o PPC continue “crescendo” e “transmita à cidadania da Catalunha a alternativa de que tanto precisa contra a esquerda e o nacionalismo”.
“VIA CRUCIS” DE SÁNCHEZ
Enquanto isso, o PP nacional decidiu redobrar a pressão sobre os parceiros de investidura do PSOE para que rompam com Pedro Sánchez diante do gotejar de processos judiciais que “assediavam” o Governo. Feijóo denunciou esta semana que eles apoiam um Executivo “podre” e “indecente”.
“Vamos coletivizar o desgaste”, alertam em ‘Génova’, onde lembram a intensa agenda judicial que aguarda Sánchez neste mês: o julgamento de seu irmão por seu cargo na Diputación de Badajoz; a audiência preliminar para a qual o juiz Peinado convocou, em 9 de junho, Begoña Gómez, esposa do presidente; ou o depoimento do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero nos dias 17 e 18, após sua acusação pelo resgate da Plus Ultra.
Além disso, destacam que se aguarda o veredicto do “caso das máscaras”, pelo qual o ex-ministro José Luis Ábalos foi levado a julgamento, e que seja levantado o sigilo do inquérito do chamado “caso Leire”, depois que o juiz indiciou a gerente do PSOE e o ex-número dois do partido, Santiago Cerdán. “Que se cozinhem em seus autos. É o momento de ansiedade do Governo”, afirmam fontes da equipe de Feijóo.
Os “populares” também levarão sua ofensiva contra o Executivo para a Catalunha, sobretudo depois que o juiz Santiago Pedraz solicitou ao Partido Socialista documentação sobre a campanha de 2024 que levou Salvador Illa ao Palau de la Generalitat. “Aproveitaremos o calvário de Sánchez e do PSOE”, acrescentam fontes do PPC.
Por enquanto, o porta-voz do PP no Parlamento, Juan Fernández, afirmou que Illa deve “dar explicações sobre as dúvidas que existem quanto ao financiamento da campanha eleitoral de seu partido no ano de 2024 e sobre suas conexões pessoais com as pessoas envolvidas na trama de corrupção” que supostamente existe em torno do PSOE.
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