Publicado 07/06/2026 05:59

Feijóo continuará pressionando os parceiros, mas pede calma ao PP, pois a "ansiedade" está no PSOE

O PP não descarta uma moção de censura nem uma "resposta cívica" nas ruas em relação à corrupção, mas evita revelar, por enquanto, suas cartas

Archivo - Arquivo - O presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo (à direita), preside a reunião da Diretoria Nacional do partido, ao lado de Elías Bendodo (à esquerda) e Miguel Tellado (ao centro), em 9 de fevereiro de 2026, em Madri (Espanha). O
Gustavo Valiente - Europa Press - Arquivo

MADRID, 7 jun. (EUROPA PRESS) -

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, avalia o momento e tenta acalmar as vozes internas que querem ações diante da “escalada da corrupção” , alertando que a “ansiedade” está em Moncloa e na sede socialista de Ferraz diante do “calvário” judicial que aguarda neste mês de junho o PSOE de Pedro Sánchez e seu círculo, segundo indicaram à Europa Press fontes do PP.

Em “Gênova”, garantem que Feijóo quer ditar o ritmo, sem se deixar abalar pelas pressões do Vox para que apresente já uma moção de censura, mesmo sem ter garantidos os apoios no Congresso. "O foco está em Moncloa e em Ferraz, não está em Génova", reiteram desde a cúpula do PP diante das novas revelações do 'caso Leire', apenas dez dias após a imputação do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero.

A direção nacional do PP destaca que, às informações que vão surgindo sobre o inquérito relativo ao “comando das esgotos”, que envolve a ex-militante socialista Leire Díez, somam-se o julgamento do irmão de Pedro Sánchez por seu cargo na Diputación de Badajoz; a audiência preliminar de Begoña Gómez, esposa de Pedro Sánchez, no próximo dia 15 de junho; e a comparecimento de Zapatero nos dias 17 e 18 perante o juiz do caso Plus Ultra. Também poderá ser conhecida este mês a sentença do “caso das máscaras” após o julgamento do ex-ministro José Luis Ábalos, segundo acrescentam.

Nas fileiras do PP, aponta-se que pode haver decisões judiciais contundentes e, de fato, não descartam que o próprio PSOE seja indiciado como pessoa jurídica ou que o próprio Pedro Sánchez possa ser intimado a depor — ele já prestou depoimento como testemunha no chamado “caso Begoña” em julho de 2024 —, segundo fontes do partido. Por enquanto, na sexta-feira soube-se que o Ministério Público Anticorrupção solicitou ao juiz que intimasse a presidente do PSOE, Cristina Narbona, como testemunha no “caso Leire Díez”.

Com esse calendário judicial, a equipe de Feijóo ressalta que não se deve ter “pressa” e que agora o que importa é deixar que o PSOE “se cozinhe em seus próprios caldeirões”. “É o momento de ansiedade do Governo”, enfatizam na direção do PP, onde ressaltam que, publicamente, continuarão insistindo que as urnas são a “única saída limpa, democrática e rápida para tudo isso”.

“COLETIVIZAR O DESGASTE”

Paralelamente, em “Génova”, apostam em “coletivizar o desgaste” e manter a pressão sobre os parceiros do PSOE, como já se viu nesta última semana, com mensagens diretas a Junts e PNV, a quem retrata como “cúmplices” e “corresponsáveis” pela corrupção que envolve o PSOE de Pedro Sánchez.

“Não vale a tibieza. É preciso se posicionar", alertam na sede do Partido Popular, onde ressaltam que o "calvário" judicial que aguarda Sánchez também terá repercussões nas urnas para os aliados parlamentares do PSOE, pois seus eleitores estão cientes da "gravidade" da situação.

Além disso, na direção do PP, repreendem os parceiros de Sánchez por sua única linha vermelha ser o financiamento irregular e os desafiam a explicar por que outros crimes, como por exemplo a “organização criminosa” mencionada na decisão do juiz Santiago Pedraz, não o são.

Por isso, Feijóo e sua equipe apostam em continuar “incomodando” os parceiros. “Temos que mexer com os nervos deles”, afirmam à Europa Press fontes do PP, que acreditam que os meses que se seguem podem ser “uma morte por picadas”.

FEIJÓO GUARDA SUAS CARTAS

Os “populares” não descartam a moção de censura, apesar da rejeição do PNV e do Junts, nesta mesma semana, a uma possível iniciativa nesse sentido por parte de Feijóo, que precisaria necessariamente dos votos do Vox. “O Partido Popular não descarta nenhum instrumento constitucional”, repetem na cúpula do PP.

No entanto, o PP prefere não revelar suas cartas e colocar o foco em Moncloa e Ferraz para aumentar a “ansiedade” no Governo e no Partido Socialista. “Estamos tranquilos sabendo que o PSOE não sabe o que faremos. Não vamos especificar nossos passos”, insistem em ‘Gênova’.

Na verdade, também não descartam uma possível “resposta cívica” nas ruas e lembram que já se manifestaram contra a “máfia” que, em sua opinião, representa o “sanchismo”. “Eu sei que parte da esquerda e Moncloa estão ansiosas para saber o que vamos fazer, mas não vamos entregar esse presente a elas”, confirmou nesta quinta-feira a vice-secretária de Coordenação Setorial do PP, Alma Ezcurra.

ACREDITA QUE NEM A VISITA DO PAPA NEM A COPA DO MUNDO PODEM ESCONDER ISSO

Em “Gênova”, consideram que Moncloa busca que a visita do Papa Leão XIV, que começou neste sábado, e a Copa do Mundo de futebol, que começa na próxima semana, diluam as notícias de corrupção, mas acreditam que não conseguirão “encobri-las” diante da multidão de “escândalos” que assombram o Executivo, segundo destacam fontes do PP.

Nesse contexto, enquadram também o anúncio de Sánchez de que o Governo vai dar início aos trâmites para aprovar o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2027. Na sua opinião, trata-se de um “ato publicitário” que buscava, nesta semana, “encobrir” a “máfia” que está por trás do chamado “caso Leire”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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