Publicado 13/09/2026 04:33

Feijóo considera superado o “medo da extrema direita” que Sánchez vem alimentando e prepara o PP para a “batalha decisiva”

Archivo - Arquivo - O presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo (c), preside a reunião da Diretoria Nacional do partido, ao lado de Elías Bendodo (i), Miguel Tellado (2i), Cuca Gamarra (2ª à direita) e Juan Bravo (à direita), em 9 de fevereiro d
Gustavo Valiente - Europa Press - Arquivo

'Gênova' diferencia sua situação da da CDU após as eleições na Saxônia-Anhalt, pois na Espanha não há risco de um 'sorpasso' do Vox

MADRID, 13 set. (EUROPA PRESS) -

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, considera superado o “medo da extrema direita” que o chefe do Executivo, Pedro Sánchez, vem utilizando como arma eleitoral desde as eleições de 2023, e se prepara para a “batalha definitiva” nas eleições gerais de 2027, um evento que sua equipe encara como “uma revanche” após não ter conseguido chegar à La Moncloa há três anos, conforme reconheceram fontes do Partido Popular à Europa Press.

Em “Gênova”, percebe-se que Sánchez pretende explorar novamente como slogan eleitoral “a ameaça da extrema direita”, seguindo assim a linha que abriu nas últimas eleições gerais e que tem utilizado repetidamente em seus debates parlamentares, enfatizando a ideia de que a direita se misturou com a extrema direita. No entanto, os membros do Partido Popular acreditam que essa estratégia “já não cola” e não vai funcionar nas próximas eleições gerais.

Em um início de ano com clima eleitoral — em 2027 haverá eleições gerais, municipais e regionais em 12 comunidades autônomas —, o chefe do Executivo já deu a entender na última segunda-feira, em uma reunião do Grupo Socialista, qual será seu roteiro nos próximos meses — um encontro que coincidiu com a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado alemão da Saxônia-Anhalt.

De fato, os resultados dessas eleições na Alemanha serviram a Sánchez para se erigir como a “ponta de lança das políticas progressistas” diante da “ameaça ultradireitista” que “ganha terreno” na Europa e no mundo, “graças, em grande parte, à direita tradicional”. Por isso, nesta semana ele destacou que “um governo de coalizão progressista como o da Espanha é mais necessário do que nunca”. “O mundo está de olho em nós”, enfatizou diante dos parlamentares socialistas.

Em “Gênova”, sustentam que esses argumentos fazem parte da estratégia de “polarização” de Sánchez e que ele os utiliza repetidamente em cada intervenção, como, conforme destacam, fez nesta mesma quarta-feira no Congresso ao acusar o PP e o Vox de quererem “roubar” o direito ao voto dos exilados espanhóis após a decisão da Suprema Corte de suspender cautelosamente a revogação da chamada ‘lei dos netos’.

O PP está convencido de que a tentativa de Sánchez de transformar o “medo da extrema-direita” em alavanca para a pré-campanha não surtirá efeito e, como prova disso, citam os resultados do PP nas quatro eleições regionais realizadas no último ano, nas quais os “populares” foram a força vencedora.

FEIJÓO OBTEVE MAIS VOTOS DO QUE MERZ, QUE CONSEGUIU GOVERNAR

Na equipe de Feijóo, ressaltam que os cidadãos querem “mudança na Espanha” para ter um governo que se ocupe de seus problemas reais, como a moradia. “O que dá medo é Sánchez”, afirmam à Europa Press fontes da cúpula do PP, que alertam que sua “inércia” e “mentiras” durante o assalto a Ceuta e sua política migratória representarão um custo eleitoral para o PSOE nas urnas.

O PP considera que não se pode comparar a situação do PP espanhol com a da CDU do chanceler alemão Friedrich Merz, já que na Espanha não há risco de “sorpasso” por parte do Vox, como ocorreu há uma semana na região da Saxônia. “O governo da Espanha passa pelo Partido Popular”, destacam fontes “populares”, que sustentam ainda que a ascensão da formação de Santiago Abascal não ocorre às custas do PP.

Assim, em “Gênova”, consideram que, apesar da ascensão registrada nas pesquisas, o PP “mantém a Vox sob controle”. “A extrema direita na Europa tira pontos dos partidos tradicionais, mas aqui o PP se mantém firme. Somos o Partido Popular mais forte da Europa”, afirmam fontes do partido, que lembram que Merz — que obteve, em fevereiro de 2025, 28,5% dos votos — tornou-se chanceler após firmar um governo de coalizão com os social-democratas alemães, enquanto Feijóo, apesar de ter obtido mais de 33% dos votos, não chegou à Moncloa.

O PP PREVÊ QUE “TUDO VAI PIORAR” PARA SÁNCHEZ

Na direção do PP, considera-se ainda que “tudo vai piorar” para o governo porque, aos casos de corrupção que afetam o PSOE e o círculo do presidente, agora se somou a gestão “negligente” em Ceuta por “ignorar os alertas” sobre a avalanche de migrantes irregulares, sobre a qual esperam “mais revelações e dados” nas próximas semanas. “Ele pagará perante a Justiça e nas urnas”, advertiu Feijóo a Sánchez na semana passada, na sessão plenária do Congresso.

No entanto, a equipe de Feijóo admite que, neste momento de “declínio” e “guerra” interna dentro do próprio governo, não podem cometer erros nem improvisar. Por isso, o líder do PP enviou na última quinta-feira uma mensagem pelo WhatsApp a “barores” e dirigentes do partido, assumindo o papel de “comando único comunitário”, já que, além de solicitar-lhes “prudência” e “coordenação”, ele os instava a seguir à risca a linha discursiva de “Gênova”.

Apesar de a crise de Ceuta estar cobrando seu preço do Governo, o PP descarta a moção de censura neste momento, por entender que isso desviaria o foco quando é preciso deixar que o Executivo “se cozinhe”. “A podridão aumenta a cada dia”, declara em particular um vice-secretário do PP, que acrescenta que “o cadáver está sobre a mesa” com uma legislatura “esgotada” e um governo “morto”.

FEIJÓO IRÁ À CATALUNHA NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA A menos de 300 dias das eleições gerais, os “populares” garantem que chegam a esta reta final da legislatura preparados para dar a “revanche” a Sánchez quando ele marcar a data das eleições, que encaram como “um acerto de contas”. “Os dirigentes do PP voltaram das férias com o ânimo renovado e muita vontade de enfrentar a esquerda nas urnas”, admitem à Europa Press fontes da equipe de Feijóo.

Essa tensão eleitoral, já perceptível nas fileiras do PP, se tornará evidente nos próximos meses, já que Feijóo mobilizou seu comitê de direção para percorrer todas as províncias. O líder do PP fará o mesmo com uma agenda intensa que o levará a todas as comunidades autônomas, ciente de que tem “uma responsabilidade histórica”, segundo fontes próximas a ele.

Por enquanto, no próximo fim de semana, Feijóo retornará à Catalunha para participar de um evento com filiados do PPC, ciente de que essa comunidade é fundamental para chegar à Moncloa devido ao elevado número de cadeiras que ela distribui. No momento, os “populares” têm apenas seis deputados (cinco em Barcelona e um em Tarragona), mas aspiram melhorar seu resultado na Cidade Condal e conseguir representação em Lleida e Girona, segundo informaram fontes do partido à Europa Press.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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