Eduardo Parra - Europa Press
MADRID, 28 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que não “perdoará o sanchismo” caso chegue ao governo e que procederá a uma revisão da gestão do atual Executivo.
“Vou abrir as janelas, levantar os tapetes e abrir as gavetas”, declarou ele em uma entrevista publicada neste domingo no ‘El Confidencial’, em referência a uma possível auditoria das contas públicas e dos compromissos de gastos assumidos sem orçamento.
Além disso, ele acusou o governo de ter transformado a política orçamentária espanhola no “Oeste americano”, onde “o ‘xerife’ faz o que quer, gasta onde quer e aumenta a dívida em mais de 40%”.
Questionado sobre os escândalos de corrupção ligados ao Executivo, Feijóo estimou em quinze o número de inquéritos abertos, com 19 crimes que somam mais de 1.800 anos de prisão potencial e cerca de uma centena de indiciados, “mais da metade” dos quais têm, em sua opinião, “uma relação direta com o governo, com o partido do governo ou com o presidente”.
“Você pode se enganar uma vez, duas vezes ao escolher suas pessoas de confiança. Uma ou duas pessoas podem se revelar uma decepção, mas quando todas se revelam assim, a decepção és tu”, afirmou.
Nesse sentido, Feijóo destacou que o que mais chama a atenção de seus colegas europeus não é o dinheiro subtraído, mas “as porcas sujas” e “como, a partir do governo, se estabelece um sistema para neutralizar as investigações da Polícia e da Guarda Civil, para desacreditar juízes, promotores e a mídia. Isso é corrupção de Estado”.
Sobre a acusação contra o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, Feijóo reconheceu que ficou surpreso. “Não conseguia imaginar que Zapatero estivesse envolvido em uma trama de corrupção organizada em nível nacional e internacional”, concluiu.
NÃO APRESENTARÁ MOÇÃO DE CENSURA SEM “OS PARCEIROS”
O líder do PP insistiu que não apresentará uma moção de censura contra Pedro Sánchez se os votos dos parceiros de governo não garantirem uma mudança no Executivo, pois, segundo ele, fazê-lo nas condições atuais equivaleria a “endossar o presidente”.
“Hoje, apresentar uma moção de censura contra Sánchez tem altíssimas chances de ser rejeitada e, portanto, de endossar o presidente do Governo”, afirmou Feijóo, que, no entanto, ressaltou que o PP “estaria disposto a apresentá-la na segunda-feira” se isso implicasse “uma mudança de governo rumo à decência, à convocação de eleições e a uma alternativa política para a Espanha”. “Neste momento, essas circunstâncias não se dão e, para fazer coisas que beneficiem Sánchez, comigo não podem contar”, esclareceu.
Nesse sentido, o líder do PP criticou a posição do PNV, que votou contra a moção de destituição de Sánchez, apesar de afirmar que “a legislatura chegou ao fim”. “Esclareçam-se”, disse Feijóo, ao mesmo tempo em que reconheceu que “pelo menos” o Junts votou a favor da renúncia do presidente.
Sobre a possibilidade de chegar ao governo com Sánchez na oposição, Feijóo afirmou que a única coisa que lhe importa “é que Sánchez não esteja no governo da Espanha”, concluiu.
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