Publicado 19/03/2026 09:03

Feijóo afirma que a ausência de um orçamento demonstra que o governo é um “zumbi” e pede a Sánchez que convoque eleições

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, em um encontro em Bruxelas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.
DIEGO PUERTA/PP

Ele considera uma "indecência" que o Executivo esteja há "três semanas lucrando" com o aumento dos preços devido à guerra no Irã: "É imoral"

BRUXELAS/MADRID, 19 mar. (EUROPA PRESS) -

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, afirmou nesta quinta-feira que a ausência do Orçamento Geral do Estado (OGE) evidencia que o governo de Pedro Sánchez é um “zumbi político” e ressaltou que, na atual situação de fragilidade parlamentar, o “lógico” é que o chefe do Executivo convoque eleições gerais.

Ele se pronunciou assim logo após o presidente do Governo ter adiado a apresentação das contas públicas. “Agora estamos no que é importante e urgente”, afirmou Sánchez de Bruxelas, em alusão ao pacote de medidas que o Conselho de Ministros aprovará nesta sexta-feira para amenizar os efeitos da guerra no Irã.

Pouco depois, a vice-presidente primeira e ministra da Fazenda, María Jesús Montero, confirmou que o Governo vai adiar a apresentação do Orçamento Geral do Estado, que havia prometido aprovar no primeiro trimestre do ano, porque, segundo explicou, foi dada “prioridade” à negociação do decreto-lei de medidas diante do conflito no Irã.

ACUSA SÁNCHEZ DE "INCUMPIR" UMA OBRIGAÇÃO CONSTITUCIONAL

Em declarações à imprensa em Bruxelas, após participar da reunião do Partido Popular Europeu (PPE) prévia ao Conselho Europeu, Feijóo acusou o governo de "incumprir a obrigação constitucional de apresentar o Orçamento na Câmara".

“Há uma falha sistêmica contínua desde 2023 até 2026, em que o governo não governa porque não tem maioria no Parlamento. O governo não pode aprovar o orçamento porque não tem votos para isso”, relatou.

Nesse ponto, ele destacou que, nesta terça-feira, o Executivo sofreu uma “dupla derrota” no Parlamento em uma iniciativa sobre sua “política de imigração” — o Congresso solicitou a suspensão da regularização de imigrantes com os votos do PP, Vox e Junts — e outra sobre medidas em favor das famílias diante da guerra no Irã.

Por isso, Feijóo afirmou que o governo de Sánchez é um “zumbi político” que se instalou na Espanha e que “não aprova” nem leis nem orçamentos. Além disso, ele disse que o governo também não tem uma política de defesa e relações exteriores que possa levar ao Parlamento porque “nem mesmo seus parceiros concordam com ela”.

PEDE A SÁNCHEZ QUE NÃO ESQUEÇA QUE O POVO ESPANHOL É “INTELIGENTE”

“Na Espanha não há um governo que governe, há um governo que ocupa o governo, mas não governa. E isso é uma falta de respeito à inteligência dos espanhóis”, exclamou, acrescentando que alegar que não apresentou o Orçamento Geral do Estado porque “há 15 dias começou uma guerra no Irã” é algo que “nem o próprio presidente acredita”.

Por isso, Feijóo pediu a Sánchez “um pouco mais de respeito pelos 50 milhões de espanhóis”, pois na Espanha “há vida inteligente”. “Embora o presidente do governo o subestime, que não se esqueça de que o povo espanhol é um povo inteligente”, afirmou.

O líder da oposição afirmou que, se não consegue governar, o lógico “é convocar eleições para que os cidadãos se pronunciem nas urnas. Na sua opinião, como “não quer admitir que não consegue governar”, está “adormecido no governo e se comportando realmente como um zumbi político, que é o que ele é”.

“TRÊS SEMANAS GANHANDO DINHEIRO” COM A GUERRA NO IRÃ

Quanto ao decreto anticrise com medidas para enfrentar as consequências da guerra no Irã, Feijóo destacou o pacote de medidas “razoável” que seu partido apresentou há duas semanas para lidar com a situação e que eles “estudaram”.

“Se o preço de um produto subiu 30%, não se pode manter o mesmo IVA de quando ele era 30% mais baixo. E é uma indecência lucrar com o preço do gasóleo e com o preço da gasolina”, afirmou, alertando que isso vai “repercutir em toda a cesta de produtos se não for reduzido o gasóleo profissional, o gasóleo agrícola, o gasóleo dos transportadores ou o gasóleo dos pescadores”.

Nesse sentido, ele ressaltou que é preciso conter a inflação ajustando-a “por meio de impostos para manter o equilíbrio”. “E eu reitero: o governo vem lucrando com a guerra há três semanas. O senhor é contra a guerra, mas não é contra os lucros que ela lhe traz. O senhor é duplamente imoral”, enfatizou.

AFIRMA QUE, SE O PP GOVERNASSE, A GASOLINA HOJE SERIA MAIS BARATA

Feijóo defendeu o plano do PP, que consiste em “reduzir pela metade os impostos que incidem sobre a eletricidade, o gás, a gasolina e o diesel”. Além disso, acrescentou que seu partido aposta em um pacote para a indústria eletrointensiva, na eliminação do imposto sobre a geração de eletricidade e na atualização da alíquota do IRPF de acordo com a inflação.

“O Partido Popular cumpriu seus compromissos, fez seu trabalho”, afirmou, acrescentando que nesta quarta-feira o Plenário do Senado — onde o Grupo Popular detém maioria absoluta — aprovou essas medidas do PP em favor das famílias, da indústria e do setor primário por meio de uma moção.

“Se o Partido Popular estivesse no governo, hoje o preço da gasolina, do diesel, do gás e da eletricidade teria visto o imposto sobre o valor agregado cair de 21% para 10%. Entendemos que esta é uma forma de fazer política absolutamente contrária à do Governo”, enfatizou, para insistir que o Executivo diz que “é contra a guerra, mas está se aproveitando da guerra”.

Depois de destacar que outros países, como a Itália ou Portugal, já tomaram medidas, ele reiterou que, se o PP estivesse no governo hoje, a energia seria “mais barata na Espanha”, ressaltando que “o que os cidadãos buscam são soluções” e “não buscam abordagens partidárias ou pessoais”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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