MINISTERIO DE DEFENSA DE SIRIA
Ambas as partes concordaram com um cessar-fogo em Aleppo neste fim de semana, após vários dias de confrontos violentos MADRID 12 jan. (EUROPA PRESS) -
O Exército sírio acusou nesta segunda-feira as Forças Democráticas Sírias (FDS) de enviar tropas para a região a leste de Aleppo, apesar do acordo de cessar-fogo alcançado neste fim de semana após os confrontos dos últimos dias na cidade, e anunciou, consequentemente, o envio de reforços para Maskana e Deir Hafer.
“Reforços estão chegando a Maskana e Deir Hafer, na linha de implantação a leste de Aleppo, após observar a chegada de mais grupos armados da organização terrorista PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e remanescentes do antigo regime junto com a organização FDS”, informou a agência de notícias oficial síria, SANA.
O PKK é o partido-milícia separatista curdo com presença nas regiões de maioria curda do sudeste da Turquia, norte do Iraque e noroeste do Irã. Também tem ligações ideológicas com as Unidades de Proteção Popular (YPG), espinha dorsal das milícias curdo-árabes FDS. O grupo anunciou sua dissolução nos últimos meses, mas a Turquia, um dos principais aliados do novo governo sírio, continua denunciando sua presença nessas regiões. A Direção de Operações do Exército sírio informou sobre a presença dessas milícias, o que representa uma “escalada perigosa”. Assim, alertou que haverá uma “resposta feroz” a qualquer ação militar desses grupos. O porta-voz das FDS, Farhad Shami, denunciou a campanha de “desinformação” do Exército sírio liderado pelo presidente e antigo líder jihadista Ahmed al Shara. “Nossas forças estão observando atentamente as informações equivocadas divulgadas pelo Ministério da Defesa do governo de Damasco sobre a situação nas proximidades de Maskana e Deir Hafir”, afirmou Shami em um comunicado publicado em sua conta no X.
O porta-voz das FDS sublinhou que “não há movimentos militares nem reforços de tropas da nossa parte nessas zonas e que todas as acusações que circulam são absolutamente infundadas”. Na verdade, ele garante que “os movimentos nessa zona são fundamentalmente de facções ligadas ao próprio governo de Damasco”.
Para as FDS, Damasco “tenta gerar tensão e procura um pretexto para uma escalada”. Nesse sentido, o grupo reitera sua intenção de promover uma “desescalada” sem renunciar ao seu “direito legítimo de tomar todas as medidas necessárias para defender a região e proteger os civis”.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização independente com sede em Londres, mas com informantes dentro do país, também denunciou a “campanha de desinformação” da mídia oficial e lembra os “crimes” cometidos pelas forças militares e seus aliados nos bairros de Sheij Maqsud e Ashrafié, em Alepo, áreas com presença curda.
O Observatório afirma que “não há dados no terreno que confirmem a informação sobre a presença de reforços das FDS” e alerta para o uso do termo PKK, que não era utilizado pelas autoridades sírias desde o acordo de 10 de março que estabelecia as bases para a integração das FDS nas novas Forças Armadas sírias.
A integração das FDS, as forças armadas da administração autônoma curdo-árabe do nordeste do país, é um dos principais desafios do novo governo sírio, instalado em Damasco após uma ofensiva relâmpago das milícias jihadistas lideradas por Al Shara, que culminou com a tomada de Damasco em 8 de dezembro de 2024 e a saída do poder do presidente Bashar al Assad.
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