Publicado 11/09/2026 14:35

O Exército israelense rejeita as acusações feitas no documentário “Naza” sobre o uso de IA em ataques em Gaza

Rachel Szor e Yuval Abraham durante a sessão de fotos do filme “Naza”
MARIA LAURA ANTONELLI / AGF / ZUMA PRESS / EUROPA

MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -

O Exército de Israel rejeitou nesta sexta-feira as acusações feitas por militares que preferiram permanecer anônimos no documentário “Naza”, o novo documentário de dois dos diretores de “No Other Land”, Yuval Abraham e Rachel Szor, sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) para perpetrar ataques contra civis na Faixa de Gaza.

“O Exército rejeita categoricamente essas acusações. De acordo com o que foi divulgado, o filme se baseia em depoimentos anônimos de pessoas cuja identidade não pôde ser verificada; isso inclui se elas realmente serviram nas Forças de Defesa de Israel (FDI), quais funções desempenharam ou se estiveram envolvidas nos fatos sobre os quais recaíram as acusações”, precisou em um longo comunicado.

A autoridade militar israelense questionou as afirmações feitas por soldados entrevistados anonimamente no documentário “sobre estratégia nacional e militar”, ao considerar que elas ultrapassam “claramente o conhecimento de militares de baixa patente”.

Da mesma forma, quis deixar claro que é incoerente que membros da Diretoria de Inteligência Militar tenham testemunhado ou participado de determinados cenários descritos no filme, referindo-se a situações nas quais os soldados supostamente entrevistados para o documentário não teriam intervindo “por definição”.

“Também fica evidente um uso incorreto da terminologia jurídica por parte de pessoas que não são profissionais do Direito, bem como contradições internas e incoerências, como afirmar que os danos não intencionais decorrentes de ataques legítimos foram causados deliberadamente ou constituíram um ‘genocídio’, demonstrando desconhecimento desses termos”, argumentou.

O Exército esclareceu que opera em Gaza “para proteger os civis israelenses e direciona sua atividade militar contra organizações terroristas”, principalmente o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), “em conformidade com o Direito Internacional e as leis dos conflitos armados”.

“Nesse contexto, as Forças de Defesa de Israel (FDI) atacam alvos militares e envidam esforços sem precedentes para minimizar os danos à população civil. O Hamas continua operando de forma sistemática a partir de áreas civis, integrando seus combatentes e infraestrutura militar à população e utilizando zonas civis para fins terroristas”, destacou.

Além disso, ele destacou que, caso surjam “suspeitas concretas de violações da lei por parte de um soldado”, o Exército “assume o compromisso total de investigá-las e levar os responsáveis à Justiça por meio de mecanismos de controle independentes”.

“Qualquer soldado que testemunhe uma violação da lei é obrigado, por ordem militar, a denunciá-la para que se avalie a abertura de uma investigação. Isso se aplica igualmente às pessoas entrevistadas no filme”, afirmou.

DECISÕES TOMADAS POR SERES HUMANOS

O Exército garantiu, assim, que as decisões relativas a ataques na Faixa de Gaza são tomadas “exclusivamente” por pessoal “humano”, de acordo com as diretrizes militares, e “nunca por uma Inteligência Artificial”.

O documentário — produzido pelo “The Guardian” e cujo título faz referência a um termo militar sobre “baixas colaterais” — causou comoção no Festival de Cinema de Veneza, onde os espectadores aplaudiram os diretores por quase 25 minutos após a estreia, a mais longa ovação já registrada. O filme é candidato ao Leão de Ouro.

Em 80 minutos, “Naza” analisa a campanha de ataques sistemáticos de Israel no enclave palestino por meio do depoimento de 24 oficiais e soldados da inteligência, que detalham estratégias de espionagem telefônica e sistemas de Inteligência Artificial para identificar alvos. Segundo denúncias dos diretores, esse mecanismo funciona como um sistema em grande escala que provoca deliberadamente a morte de centenas de vítimas civis colaterais em um único ataque.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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