Publicado 29/06/2026 12:56

O Exército israelense não abrirá mão de “nem um milímetro” de território libanês até que o Hezbollah se desarme

Israel prevê uma presença “de longo prazo” no Líbano e duvida da eficácia do Exército libanês contra o partido-milícia

Archivo - Arquivo - ARQUIVADO - 25 de junho de 2024, Israel, Jerusalém: O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, é fotografado em Jerusalém. Foto: Hannes P Albert/dpa
Hannes P Albert/dpa - Arquivo

MADRID, 29 jun. (EUROPA PRESS) -

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que as Forças Armadas israelenses não se retirarão “nem um milímetro” do território libanês que mantêm ocupado até que o partido-milícia xiita libanês Hezbollah seja desarmado.

O acordo assinado na sexta-feira entre os governos do Líbano e de Israel prevê que Israel poderá manter suas tropas em território libanês enquanto não for efetivado o desarmamento do partido-milícia xiita libanês Hezbollah em toda a região situada ao sul do rio Litani, até os territórios ocupados das Colinas do Golã e das Fazendas de Sheba, bem como vários enclaves ao norte do rio, como o estratégico Castelo de Baufort, uma antiga fortaleza cruzada que domina toda a região.

A principal novidade do acordo é que Israel se retirará de dois distritos de Nabatiye, o de Zautar al Qarbiya e o de Frun, nos quais será testada a capacidade das autoridades libanesas de desarmar o Hezbollah.

“As pessoas não devem se preocupar em saber de onde Israel se retirará no Líbano, pois isso não acontecerá até que o Hezbollah esteja desarmado. Não temos ambições territoriais no Líbano, mas, até que o Hezbollah seja desarmado, não vamos nos retirar nem um milímetro”, afirmou Katz em declarações à imprensa divulgadas pelo jornal ‘The Times of Israel’.

Katz lembrou que essa posição foi aceita pelos Estados Unidos e está consagrada no anexo militar do acordo-quadro assinado na sexta-feira. Além disso, ele destacou que, durante seu encontro com o comandante do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM), Brad Cooper, ambos concordaram que “as FDI — Forças de Defesa de Israel — não se retirarão das zonas de segurança do Líbano, da Síria nem de Gaza”.

PRESENÇA “DE LONGO PRAZO”

Quanto às perspectivas de desarmamento do Hezbollah, Katz observou que não acredita que o Exército libanês “de repente se transforme em um leão que vá atrás do Hezbollah” e, portanto, a presença militar israelense no Líbano será “de longo prazo”.

Nesse sentido, ele mencionou o caso dos túneis de Ali Taher, onde se acredita que estejam escondidos cerca de trinta membros do Hezbollah. Katz explicou que instaram as forças libanesas a entrarem naquela área, mas “o Exército libanês se recusou a fazê-lo”.

Ele também se referiu às demolições de aldeias na zona de fronteira que o Exército israelense vem realizando. “É evidente que as aldeias xiitas fronteiriças situadas ao longo da linha de contato precisam desaparecer” para garantir a proteção do território israelense. Assim, nas regiões oeste e sul, “há uma destruição de quase 100% nas aldeias situadas na linha de contato”, enquanto no setor leste “73% das localidades foram destruídas”, destacou ele.

Cerca de 600 mil “xiitas” fugiram do sul do Líbano e outros 700 mil fugiram dos bairros do sul de Beirute, considerados um reduto do Hezbollah, sempre segundo Katz.

O ministro destacou que, se não fosse pela pressão dos Estados Unidos sobre Israel, as forças militares israelenses já teriam provocado o “colapso” do Hezbollah no Líbano e revelou que tinham preparada uma “enorme” campanha aérea que “teria desmantelado o Hezbollah”. O grupo estava “implorando aos iranianos para que os salvassem”.

“Quando o presidente (americano, Donald) Trump vinculou o Irã ao Líbano, paramos de destruir prédios em Beirute. Essa ligação se deve aos americanos, devido às restrições decorrentes da relação (israelense) com os Estados Unidos”, explicou. “Se não houvesse ligação entre a situação no Líbano e no Irã, o Hezbollah já teria sido destruído”, ressaltou.

No entanto, o que ocorreu acionou o “plano B” israelense: a incursão militar ao norte do rio Litani e a ampliação da zona de segurança israelense no sul do Líbano durante o último mês, uma ofensiva lançada com o aval de Washington, relatou Katz.

Enquanto isso, continuam as demolições de túneis, e ele adiantou que há um túnel sob o Castelo de Beaufort que será demolido com “500 toneladas de explosivos”.

Sobre um possível ataque iraniano com mísseis em retaliação às ações israelenses no Líbano, Katz explicou que eles responderão e que estão se preparando para “agir de forma independente”. “Isso pode acontecer em dois dias. Temos alvos para ataques no Irã e as Forças de Defesa de Israel (FDI) estão preparadas e em alerta, mas não vamos interferir no diálogo do presidente dos Estados Unidos com os iranianos”, esclareceu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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