MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -
O ex-vice-presidente da Colômbia e pré-candidato para 2026, Germán Vargas Lleras, disse na terça-feira que seu país está em um "momento histórico" no período que antecede as eleições e advertiu que a oposição deve deixar para trás suas "vaidades" porque outro governo do partido governista seria "catastrófico".
"Eles não gostam de governar, eles gostam de agitação", disse Vargas Lleras, resumindo os quase dois anos e meio do governo de Gustavo Petro, que ele define como "terrível" e do qual é "muito difícil" salvar alguma coisa.
Vargas Lleras disse em uma reunião com jornalistas em Madri, com a participação da Europa Press, que, caso o partido governista consiga revalidar seu mandato, ele não descarta uma "falência constitucional", razão pela qual pediu à oposição que estabeleça uma fórmula unida e, assim, evite abrir caminho para Petro.
"Isso seria desastroso", advertiu o ex-candidato duas vezes, que insiste no fato de que há uma grande crise institucional. Entretanto, ele enfatizou que precisa avaliar "com muito cuidado" qual poderia ser seu papel, pois não quer ser um obstáculo para essa candidatura unida, que ele insistiu que a direita precisa.
"A preocupação que tenho é enorme com o país, com suas instituições, com o Estado de Direito", disse ele, ressaltando que será no segundo semestre deste ano que os possíveis candidatos para 2026 começarão a se "esclarecer".
O ex-vice-presidente colombiano acredita que o passado de Petro como "guerrilheiro socialista" está condicionando seu desempenho à frente do governo, embora esteja satisfeito com o fato de que "felizmente" ele não está conseguindo realizar suas aspirações, apesar, segundo ele, da "profunda crise" em que mergulhou o sistema de saúde.
"Nós, na Colômbia, tínhamos um sistema bastante eficiente, com cobertura universal, que prestava serviços excelentes. E este governo quer nacionalizá-lo. Ele interveio no capital privado. Ele interveio nas empresas de capital privado para assumir o controle" e "a escassez de medicamentos já está começando a se manifestar", denunciou.
Ele também criticou Petro por ter "declarado guerra nacional e internacional" aos combustíveis fósseis, quando a Colômbia, segundo ele, depende em um "grau muito alto" das receitas do petróleo. "Ele viaja pelo mundo com essa teoria", reclamou Vargas Lleras.
"É inaceitável, assim como ter freado o setor de infraestrutura, o setor habitacional e tantos outros (...) o investimento estrangeiro também foi significativamente reduzido no ano passado (...) é uma combinação de problemas de segurança, problemas econômicos, déficits, em todos os setores estratégicos", disse ele.
CRÍTICAS AO REFERENDO DA PETRO
Vargas Lleras também questionou a consulta popular de Petro para submeter os projetos do governo ao voto dos colombianos. Uma iniciativa que ele está lançando depois que o Senado rejeitou sua reforma trabalhista há uma semana, deixando assim outras em suspenso, como as reformas agrária, judicial e educacional.
Para o ex-ministro do Interior do governo de Juan Manuel Santos, isso dá ao presidente Petro e à sua equipe luz verde para iniciar a campanha eleitoral "sob o pretexto de defender a posição do governo" e, embora ele não se atreva a arriscar qual será o destino da consulta, ele lembrou que tais iniciativas já fracassaram no passado.
Nesse sentido, ele garantiu que espera que Petro "rompa" com o Congresso, como prometeu, e assim evite ter de processar e debater uma série de reformas que seriam "catastróficas" para o país.
CRISE DE SEGURANÇA E CONFLITO ARMADO INTERNO
Vargas Lleras descreveu como "central" o problema do conflito armado interno que, embora a Colômbia sofra há décadas, ele insistiu que foi nos dois anos e meio de seu governo que ele mais se agravou, e reprovou o plano de paz total de Petro por "não ter tido nenhum resultado".
"Nenhuma dessas conversas teve qualquer resultado, exceto para eles. Isso permitiu que eles crescessem territorialmente, consolidassem seu domínio, seus negócios ilícitos", com um aumento "crítico" das plantações de coca e com "muitos colombianos subjugados" por esses grupos armados, denunciou.
Tudo isso, advertiu ele, com um "exército impotente" e "bem definido" que ainda não foi usado para lançar a operação em grande escala que Petro prometeu para recuperar o controle de algumas áreas, como Catatumbo. "Houve muito pouco progresso no enfrentamento dessas estruturas criminosas", disse ele.
Sua proposta envolve "exercer a autoridade do Estado" e "confrontar militarmente" esses grupos armados que estão presentes em todo o território há décadas e que ele também culpa pelos "resultados insatisfatórios" dos acordos de paz, como o selado com as FARC em 2016.
Embora ele tenha explicado que a falta de investimento e de implementação desses acordos em particular "gerou descontentamento" em muitos setores, ele também esclareceu que esse é o argumento usado por essas "estruturas criminosas" para evitar depor as armas. "O que está por trás disso é o negócio infinito de drogas", concluiu.
RELAÇÕES COM OS ESTADOS UNIDOS
Vargas Lleras também lembrou a retumbante, embora de curta duração, crise diplomática com os Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à Casa Branca com sua política de deportações em massa e sua ideia de impor tarifas a todos.
"Teria sido catastrófico se essas sanções tivessem sido confirmadas", porque "os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da Colômbia", disse ele em relação às ameaças de tarifas lançadas por Trump depois que a Petro declarou que não aceitaria a chegada desses voos.
"A Petro aproveitou para abrir uma polêmica desnecessária (...) Um espetáculo que nos custou quase enormemente", lembrou Vargas Lleras, que explicou que esse tipo de voo com cidadãos colombianos deportados dos Estados Unidos já havia sido planejado antes da chegada de Trump.
"Antes e depois do episódio, os imigrantes ilegais que sempre recebemos e continuamos recebendo continuaram chegando, sem esse episódio, sem esse teatro", disse ele, minimizando a importância da intervenção do ex-presidente Álvaro Uribe para que Petro recuasse. "O país inteiro foi mediador", acrescentou.
Vargas Lleras afirmou que não sabe até que ponto o retorno de Donald Trump pode afetar o país, mas avaliou como "particularmente positiva" para a Colômbia a presença de Marco Rubios no Departamento de Estado devido ao seu grande conhecimento e relações com a região.
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