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Ele se pronuncia sobre os “vazamentos judiciais” relativos a um pedido do Ministério Público para incluí-lo no processo criminal pela explosão de 2020 que causou 200 mortos
MADRID, 16 set. (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente libanês Michel Aoun apresentou nesta quarta-feira uma queixa por “fabricação de boatos, calúnias e divulgação de informações confidenciais”, depois que, na véspera, veio a público que o Ministério Público havia solicitado sua inclusão no processo criminal relativo à explosão no porto de Beirute, em agosto de 2020, que causou mais de 200 mortos e 7.000 feridos, além de enormes danos materiais na capital.
“Estamos diante de um grave prejuízo ao bom funcionamento da justiça, uma tentativa de distorcer os fatos, ocultar os verdadeiros responsáveis e fabricar uma condenação midiática à margem do Poder Judiciário”, afirma o documento apresentado por seu advogado, Wadih Aql, e divulgado pela agência de notícias estatal NNA.
Nesse sentido, a defesa do ex-presidente (2016-2020) considerou que a divulgação sobre a investigação da tragédia — cujo sexto aniversário foi comemorado no último dia 4 de agosto — visa “desviar a atenção dos libaneses de sua realidade e de sua trágica situação social, econômica e nacional, resultado de um fracasso político na gestão dos assuntos do país e de seu povo”.
Assim, descreveu o que foi divulgado como “rumores” e denunciou que sua divulgação “sob o pretexto de ‘vazamentos judiciais’ extraídos do relatório da Procuradoria-Geral de Apelação não constitui um trabalho jornalístico legítimo”. “Se o vazamento for verdadeiro, há a suspeita de revelação do sigilo da investigação; se não for, há a suspeita de fabricação e divulgação de notícias falsas”, acrescenta o texto.
O advogado defendeu que a “denúncia não se antecipa ao veredicto judicial, mas rejeita que o vazamento se torne uma sentença, que o boato se transforme em uma resolução presuntiva e que a desinformação se erga como uma suposta verdade imposta à opinião pública”.
Além disso, ele destacou que o ex-presidente e ex-general libanês, de 92 anos, “dedicou sua vida (...) a defender o Líbano e sua soberania, bem como aos libaneses e seu direito a um Estado que os proteja e preserve sua dignidade”.
“Ele optou pelo Estado em vez da anarquia, pelas instituições em vez do caos e pela lei em vez do crime (...) Quando ocorreu a explosão no porto, ele foi o primeiro a comparecer para zelar pelo bem-estar dos libaneses, em defesa dos direitos das vítimas, e manteve-se firme em seu empenho por revelar toda a verdade e exigir responsabilização de todos aqueles cuja culpa fosse comprovada”, afirmou.
As explosões foram causadas por cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto de Beirute, principal ponto de entrada de mercadorias e ajuda humanitária, sem as medidas de segurança necessárias pelo menos desde 2013. A investigação foi marcada por interferências políticas, e foi em janeiro do ano passado que o juiz Tarek Bitar retomou o processo, chegando a intimar figuras como o ex-primeiro-ministro Hassan Diab ou o ex-promotor Ghassan Oueidat, embora este último tenha continuado a obstruir a investigação, recusando-se a prestar depoimento.
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