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MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente do Equador, Abdalá Bucaram (1996-1997), anunciou nesta quinta-feira que recorrerá a instâncias internacionais para apelar da sentença proferida contra ele e seu filho, Jacobo Bucaram, na véspera, depois que a Justiça do país andino os considerou culpados de cumplicidade em crime de organização criminosa no caso “Testes de COVID-19”, embora o ex-líder tenha afirmado que “não há crime”.
“A sentença foi ridícula”, afirmou Bucaram em uma coletiva de imprensa em sua residência, conforme noticiado pelo jornal ‘Primicias’, na qual ele ressaltou que “aqui não há crime” e que “nunca houve”, questionando: “onde está o crime?” em “uma transação entre particulares envolvendo uma bicicleta, uma motocicleta, um carro, alguns testes de COVID...”.
Da mesma forma, o ex-presidente afirmou que seu filho está no país, ao mesmo tempo em que ressaltou que ele próprio também não pretende deixá-lo. “Meu filho está aqui, vai chegar agora para almoçar. Ele não saiu do país e não tem motivo para sair, não tem mandado de prisão”, insistiu, acrescentando que, no seu caso, ele próprio poderia partir “agora mesmo” para “o México, o Panamá...”, mas que não o faz por causa de sua idade, 74 anos, e por causa de sua família.
A condenação a nove anos e quatro meses de prisão para os dois Bucaram está relacionada à comercialização ilegal de 21 mil testes de COVID-19 durante a pandemia. Da mesma forma, o Poder Judiciário condenou o ex-agente de tráfico Leandro B. e o cidadão israelense Sheinman O. a penas de 13 anos e quatro meses, embora a pena deste último tenha sido reduzida em dois anos e oito meses por ter colaborado com a Justiça. Estes dois últimos foram, segundo a sentença, os “autores diretos” do crime.
De acordo com o Ministério Público do país andino, a estrutura criminosa, entre março e agosto de 2020, obteve lucros durante a emergência sanitária. Ficou comprovado que, nesse período, “comercializaram 21.000 testes para detectar a COVID-19, além de máscaras, lancetas, luvas de nitrilo e outros materiais, cometendo vários crimes”.
Horas antes do anúncio da sentença, o próprio ex-presidente, contra quem foi emitida a ordem de prisão após não comparecer pela sexta vez à audiência para ouvir a sentença, publicou uma mensagem nas redes sociais na qual previu que seria condenado a uma pena entre “cinco e sete anos de prisão”.
Ele fez isso afirmando ter solicitado alta médica “apesar de estar em risco de morte súbita”. Sobre esse assunto, Bucaram também se pronunciou nas redes sociais, explicando que as mudanças de hospitais — que adiaram a leitura da sentença por até seis vezes — se devem ao fato de que esses estabelecimentos estavam cercados por policiais e militares.
“As mudanças de hospitais são óbvias porque o Poder Judiciário pressionou os hospitais, privando-me do direito de cuidar da minha saúde diante de uma grave crise cardíaca”, afirmou em uma postagem nas redes sociais, após a qual fez outra, afirmando ter sido “diagnosticado como paciente com risco de morte súbita”.
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