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MADRID 19 set. (EUROPA PRESS) -
A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou neste sábado que retira sua candidatura ao cargo de próxima secretária-geral das Nações Unidas, em substituição ao português António Guterres, cujo mandato expira no final de 2026.
“Alguns acreditarão que não era o momento certo para uma candidatura como a que eu pretendia representar, em um momento em que sopram ventos fortes contra os princípios do multilateralismo e contra o Direito Internacional, que é constantemente violado. Há quem negue a existência das mudanças climáticas, apesar das evidências científicas, e a democracia e os direitos humanos estão em perigo”, afirmou ela em um vídeo divulgado em suas redes sociais.
A ex-líder socialista decidiu não dar continuidade à sua candidatura e garantiu que não se arrepende de ter se proposto a o que descreveu como um “grande desafio”.
“Estou convencida de que era o momento de levantar a voz por esses princípios que foram a bandeira de orgulho da minha candidatura”, acrescentou ela, comemorando que, apesar de já não poder substituir Guterres, “tenhamos contribuído para estabelecer no debate global que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina”.
Além disso, defendeu que seja “uma pessoa verdadeiramente independente e leal aos princípios da Carta” das Nações Unidas, que “a defenda com rigor perante os Estados, independentemente de seu tamanho ou poder”.
Bachelet agradeceu o apoio “generoso” dos presidentes do Brasil e do México, Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum, respectivamente, bem como aos chilenos que lhe demonstraram “sua estima e apoio”.
O anúncio ocorre apenas um dia após a divulgação dos resultados da terceira votação informal no Conselho de Segurança, na qual ela obteve apenas um voto a favor, contra onze votos contrários e três “sem opinião”.
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