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MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O Ministério Público da Colômbia convocou, nesta quinta-feira, o ex-presidente Álvaro Uribe para um depoimento preliminar, no âmbito das investigações que está conduzindo em relação aos massacres cometidos no final da década de 90 por paramilitares nos distritos de El Aro e La Granja, do município de Ituango, no departamento de Antioquia, no noroeste do país.
“De meus advogados: o Terceiro Ministério Público acaba de nos notificar há pouco que o convocou para um depoimento sobre o caso de El Aro, La Granja, José María Valle e Guacharacas”, indicou o ex-governador em uma mensagem publicada nas redes sociais, que encerrou lamentando ter que “enfrentar esse calvário poucas horas antes das eleições”.
Foi a Promotoria Delegada junto à Suprema Corte de Justiça que iniciou uma investigação formal contra Uribe, por supostos fatos relacionados à formação de um grupo paramilitar no município de San Roque e aos massacres perpetrados nos distritos de El Aro e La Granja, no município de Ituango, quando ele exercia o cargo de governador de Antioquia.
A investigação se refere a uma possível participação do ex-governador nas “incursões paramilitares” nos distritos de La Granja e El Aro, do município de Ituango, perpetradas entre 1996 e 1997, nas quais foram registrados “múltiplos homicídios, deslocamentos forçados, incêndio de residências e roubo de gado”, indicou a entidade em um comunicado.
Além disso, a Delegada junto ao Supremo Tribunal de Justiça determinou a inclusão de Uribe no inquérito “por sua suposta responsabilidade” no homicídio do defensor dos direitos humanos Jesús María Valle Jaramillo, ocorrido no ano de 1998.
Por isso, os crimes dos quais o ex-presidente é acusado dizem respeito à associação criminosa agravada e a homicídios contra pessoas protegidas, por supostamente facilitar e promover as ações dessa estrutura armada organizada à margem da lei, que teria utilizado como base a fazenda Guacharacas, de propriedade da família Uribe Vélez na época.
Essa notícia surge logo após o Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia ter confirmado a condenação de 28 anos e três meses de prisão contra Santiago Uribe, irmão do ex-presidente agora intimado a prestar depoimento, por crimes de associação criminosa e homicídio qualificado, após determinar que ele liderava o grupo paramilitar “Os 12 Apóstolos”.
Assim que a intimação de Álvaro Uribe veio a público, o atual ocupante da Casa de Nariño, Gustavo Petro, não demorou a se pronunciar, afirmando ter dito a ele “em alguma ocasião” que “os dois fossem à Jurisdição Especial para a Paz (JEP)”, de modo que, assim, “ele se poupasse do tormento e a Colômbia ganhasse com a verdade”.
“A Colômbia está prestes a cair em algo que o próprio senhor não gostaria, pois conhece a pessoa que agora apoia; seus tuítes sobre essa pessoa são públicos, mas, independentemente da farsa, você pode se proteger com a verdade e ajudar o povo com a paz”, destacou Petro, em uma alusão velada ao candidato de extrema direita que disputará, neste domingo, 21 de junho, a presidência com o candidato do partido no poder, Iván Cepeda.
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