Publicado 06/04/2026 17:07

O ex-presidente da Bolívia, Luis Arce, afirma ser um "preso político" do governo de Rodrigo Paz

Ele classifica sua detenção como "sequestro fora da lei"

Archivo - Arquivo - LA PAZ, 28 de junho de 2025  -- O presidente boliviano Luis Arce concede entrevista exclusiva à Xinhua em La Paz, Bolívia, em 18 de junho de 2025. PARA ACOMPANHAR "Entrevista: O BRICS amplifica a voz dos países do Sul Global e defende
Europa Press/Contacto/He Bing - Arquivo

MADRID, 6 abr. (EUROPA PRESS) -

O ex-presidente da Bolívia, Luis Arce, preso desde dezembro passado por suposto desvio de fundos, denunciou, de uma prisão em La Paz, ter sido vítima de “tortura psicológica”, entre outros abusos, e de um “sequestro fora da lei” em uma carta na qual se descreveu como “preso político” do atual governo liderado por Rodrigo Paz.

"Nos últimos tempos, tenho sido alvo de ações, decisões e atitudes que violam princípios fundamentais consagrados na Constituição Política do Estado, bem como nos instrumentos internacionais de Direitos Humanos dos quais o Estado Plurinacional da Bolívia é signatário. Entre esses direitos estão o direito ao devido processo legal, à presunção de inocência, à defesa material e técnica, à tutela judicial efetiva, bem como as garantias de imparcialidade, legalidade e segurança jurídica”, relatou em uma carta datada de 31 de março, mas divulgada nesta segunda-feira em suas redes sociais.

O ex-presidente lembrou que foi detido no último dia 10 de dezembro “sem que houvesse uma ordem legal” para tal, pelo que denunciou ser alvo de “um ato arbitrário que só pode ser qualificado como um sequestro à margem da lei”. “Este fato é ainda mais grave se considerarmos que, ao concluir meu mandato, decidi permanecer no país (...) e que, tendo manifestado publicamente minha total disposição de atender a qualquer requerimento da justiça, não recebi notificação nem intimação prévia a respeito de um processo que tivesse sido iniciado contra mim”, enfatizou.

Arce lamentou que “todas” as solicitações apresentadas por sua defesa no âmbito do processo aberto contra ele tenham sido rejeitadas, incluindo a realização de “exames médicos solicitados por um cardiologista, colocando em risco (sua) saúde e (sua) integridade física”.

Além disso, denunciou que passou suas primeiras noites na prisão detido em um local “que carecia das condições mínimas de habitabilidade e (onde) a cada hora, durante toda a noite, entravam abruptamente para tirar fotos minhas”, o que descreveu como “uma forma de tortura psicológica”.

Por outro lado, o ex-presidente afirmou que neste domingo “foi realizada uma busca em minha residência, dando continuidade a ações destinadas a causar-me morte civil e política”. “O que mais estarão inventando, o que mais plantarão contra mim. Eu não roubei, eu não matei, eu não menti ao povo boliviano”, afirmou, ao mesmo tempo em que fez um apelo às autoridades para que “ajam em estrito cumprimento à Constituição (...) e cessem os mecanismos de perseguição política, midiática e institucional voltados para desacreditar, restringir e menoscabar direitos fundamentais”.

Arce, que dirigiu o escrito aos seus concidadãos, à comunidade internacional, a organismos de direitos humanos e a “instituições democráticas”, exigiu “o devido processo legal, o respeito às leis, a objetividade de juízes e promotores, sem pressões políticas nem instruções por parte do governo, em todos os processos políticos que foram abertos contra diferentes servidores públicos do meu governo e contra mim mesmo”.

“O que está sendo feito não é apenas vingança, mas também uma desculpa para ocultar a incompetência e a corrupção de um governo que mente para o povo boliviano”, afirmou o ex-líder do Movimento ao Socialismo (MAS), investigado por suposto desvio de recursos do Fundo Indígena enquanto foi ministro da Economia entre 2006 e 2017.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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