Publicado 23/08/2026 10:57

A ex-namorada do ex-assessor de Milei e Paz afirma que foi alvejada para impedir que “contasse tudo o que sabia”

Fernando Cerimedo está preso na Bolívia, acusado de tentativa de feminicídio contra Nadia Beller

Archivo - Arquivo - 23 de março de 2020, La Paz, La Paz, Bolívia: A polícia controla os veículos que circulam em La Paz, na Bolívia, já que apenas aqueles com autorizações especiais ou veículos do exército, da polícia e dos serviços essenciais podem circu
Europa Press/Contacto/Christian Lombardi - Arquivo

MADRID, 23 ago. (EUROPA PRESS) -

Nadia Beller, ex-companheira do assessor político argentino Fernando Cerimedo, afirmou que a tentativa de assassinato da qual foi vítima na última segunda-feira, supostamente ordenada pelo próprio Cerimedo, tinha como objetivo silenciá-la sobre tudo o que ela sabia a respeito de suas relações com altas autoridades políticas bolivianas e argentinas, a começar pelos respectivos presidentes, Rodrigo Paz e Javier Milei.

“Eu poderia contar tudo o que sabia (...). Ele era meu parceiro, ele me contava tudo”, explicou a advogada e ativista, antes de receber alta médica neste sábado na Clínica Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde ficou internada esta semana para se recuperar dos três tiros que recebeu de dois assassinos, supostamente a mando do próprio Cerimedo.

“Decidi começar a falar porque pretendiam me silenciar e, se houvesse a possibilidade de eu falar, eles tentariam abafar o caso”, afirmou. “Tenho certeza de que o motivo foi porque eu sabia de muitas coisas e poderia contá-las”, acrescentou ela em entrevista ao jornal argentino ‘Clarín’, antes de reiterar sua acusação contra Cerimedo pelo ataque.

Em uma publicação posterior nas redes sociais, Beller questionou: “Há dúvidas de que isso foi um crime de Estado?”, e denunciou que uma das pessoas que supostamente participou do ataque tentou entrar em seu quarto no hospital dizendo ser policial. “Quando, no hospital, questionaram por que ele não estava fardado, ele respondeu que iria se trocar. Depois disso, nunca mais apareceu”, relatou ela.

Por isso, ele exigiu que as autoridades bolivianas identifiquem essa pessoa, expliquem sua conduta e prestem contas por esses fatos; caso contrário, terão a “responsabilidade pelo que aconteceu e pelo que ainda vai acontecer comigo neste caso que denuncio como um crime de Estado”.

Beller também se referiu, na entrevista, às reuniões de Cerimedo com o atual presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. “Ele se reunia todos os sábados à tarde com Paz. Aquilo que dizem de que ele estava afastado não é verdade. Todos os dias ele saía às 7h e voltava bem cedo, às 16h. Se Rodrigo precisasse transmitir uma mensagem à meia-noite, ele ficava no Palácio gravando a mensagem presidencial. Nunca houve esse distanciamento que agora o governo quer fazer crer”, argumentou.

O Ministério Público boliviano acredita que o motivo do ataque possa ter sido a gravidez de Beller, mas ela destacou que, desde que lhe contou que estava grávida, entre 10 e 12 de agosto, Cerimedo a acompanhou a uma ultrassonografia, pagou as despesas e até mesmo especulou sobre o possível nome do bebê, o que demonstraria sua intenção de assumir a responsabilidade. “Se fosse menino, se chamaria Gabriel Fernando, seus próprios nomes invertidos”, relatou ela.

Beller destacou ainda a tentativa da defesa de Cerimedo de impedir que fossem admitidas como prova as conversas em aplicativos de mensagens nas quais ele fala em “eliminá-la” e, após o ataque, nas quais a informam que “já a atingiram a tiros”. “Óbvio. A defesa tentou excluir as conversas porque era o que mais o incriminava”, destacou.

O assessor foi detido na terça-feira, 18 de agosto, no principal aeroporto de Santa Cruz, com uma passagem com destino à Argentina, no dia seguinte ao ataque a tiros contra Beller, e atualmente cumpre 180 dias de prisão preventiva em uma prisão de segurança máxima na província boliviana por tentativa de feminicídio.

RELAÇÃO COM MILEI, UM HOMEM “DOIDO”

Beller também se referiu à relação do consultor com o presidente argentino, Javier Milei, e sua irmã Karina. Cerimedo disse a ele “que ele era louco, que estava mal da cabeça, que tinham pago à namorada durante a campanha (Fátima Florez) e que costumavam pagar pessoas para que mantivessem relações discretas”.

Sobre Karina Milei, Cerimedo disse que ela estava envolvida em atos de corrupção. “E sobre Karina, ele disse que ela era a cabeça de tudo”, em referência aos subornos.

O próprio Milei se pronunciou sobre as acusações, negando qualquer relação com Cerimedo. “É alguém que não faz parte do nosso grupo e que não tem nenhum tipo de vínculo conosco. Deixamos de ter qualquer relação com ele em 2023”, declarou à Rádio Mitre.

Na verdade, ele apontou a esquerda latino-americana como responsável pelo caso. “Não descartemos que por trás disso esteja toda a turma de (Marcela) Pagano, (Franco) Bindi, Evo Morales, o castrochavismo, Lula... Faz parte de toda a mesma trama”, afirmou.

NOVO SUSPEITO PRESO

Enquanto isso, neste sábado, foi preso outro suspeito — o terceiro — do ataque a Beller, após a prisão de um dos assassinos que se entregou e do próprio Cerimedo. O detido é Roger A.C., que teria fornecido a arma para o ataque.

Além disso, está detido um homem de nacionalidade colombiana que seria um dos autores materiais do ataque. No entanto, ele negou ter participado da agressão. “Dizem que eu sou o assassino de aluguel, mas não sei de nada. Estou me entregando porque não sei nada sobre isso”, declarou, segundo o jornal boliviano “El Deber”.

O Ministério Público boliviano realizou buscas em propriedades ligadas a Cerimedo e apreendeu veículos, dinheiro em espécie e documentos que poderiam ser relevantes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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