Publicado 25/02/2026 03:00

A ex-ministra da Economia Miralles preside o novo Conselho de Ministros do Peru após uma mudança de última hora.

O presidente do Peru, José María Balcázar, ao lado da nova presidente do Conselho de Ministros, Denisse Miralles, na cerimônia de posse.
PRESIDENCIA DE PERÚ EN X

Hernando de Soto, anunciado para o cargo, admite ter ficado sabendo “de repente” e alega que Balcázar não aceitou suas mudanças propostas para os ministérios MADRID 25 fev. (EUROPA PRESS) -

Os membros do novo governo do Peru tomaram posse em seus respectivos cargos nesta terça-feira, em um dia cujas últimas horas foram marcadas por uma surpresa, depois que o cargo mais importante do gabinete, a Presidência do Conselho de Ministros, foi assumido pela ex-ministra da Economia Denisse Miralles, embora o recém-eleito presidente do Peru, José María Balcázar, tivesse nomeado no domingo o economista Hernando de Soto.

Assim, Miralles, que ocupou o Ministério da Economia durante o breve governo de José Jerí — destituído em uma moção de censura e submetido a duas investigações por tráfico de influência —, assumiu a liderança de um gabinete cujo objetivo “é garantir uma transição democrática coordenada e transparente”, segundo afirmou em uma primeira coletiva de imprensa transmitida pela rede RPP, na qual destacou que “o Peru precisa encerrar esta etapa de incerteza política”.

Da mesma forma, ele enfatizou que não prevê mudanças radicais no plano econômico no curto prazo, mas que “a orientação econômica deste governo se manterá firme e sem alterações”, enquanto que no plano da segurança atuará “articulando os esforços de forma mais efusiva” entre o Executivo, a Polícia Nacional, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Seu gabinete, defendeu a Presidência do país em um comunicado divulgado nas redes sociais, “foi formado com base em critérios técnicos, responsabilidade política e compromisso democrático”. “O presidente da República reafirma que este Governo de transição tem como prioridade garantir a governabilidade, a estabilidade institucional e a condução transparente do processo eleitoral”, declarou Balcázar no documento divulgado por seu gabinete.

“Novos ministros foram empossados e, ao mesmo tempo, houve continuidade nas pastas estratégicas, combinando renovação e experiência para garantir resultados imediatos e evitar qualquer cenário de desestabilização”, acrescentou, defendendo que “o país precisa de firmeza na condução econômica, uma luta frontal contra o crime organizado e a preservação da estabilidade de que o Peru necessita”.

Entre as novidades estão os titulares da Defesa, Luis Enrique Arroyo, e da Economia e Finanças, Gerardo López; bem como os do Interior, Hugo Begazo, e da Justiça e Direitos Humanos, Luis Enrique Jiménez. Mantêm-se, por outro lado, os responsáveis pelas pastas das Relações Exteriores — Hugo de Zela —, Saúde, Trabalho, Produção, Transportes e Habitação.

DE SOTO: “FICAMOS SABENDO DE REPENTE” Por outro lado, a maior surpresa foi a não nomeação de Hernando de Soto como presidente do Conselho de Ministros, assunto ao qual tanto ele quanto a Presidência se referiram.

Em declarações emitidas a partir de sua residência e divulgadas pela rede RPP, De Soto relatou que tinha “a lista completa” de ministros para a cerimônia de nomeação. “Desde então, mais ou menos do meio-dia às 2 da tarde (hora local), não recebemos notícias e percebemos que organizar uma posse leva tempo, faltavam as faixas presidenciais... De repente, ficamos sabendo que (o presidente Balcázar) havia decidido por outro gabinete”, afirmou. “Eu não fui manipulado, o que aconteceu é que eu assumi um risco”, defendeu, considerando que Balcázar tomou a decisão porque “não passou no teste de fogo que é mudar os ministros”.

Por sua vez, a Presidência explicou em um comunicado compartilhado nas redes sociais que De Soto “apresentou um plano de governo valioso e ambicioso; no entanto, não foi possível alcançar o consenso necessário para concretizá-lo devido à brevidade e ao caráter transitório do mandato constitucionalmente concedido”.

De qualquer forma, o gabinete de Balcázar expressou seu “sincero agradecimento por sua disposição em colaborar” com o novo Executivo e assinalou que “em sua qualidade de ilustre e respeitado economista de prestígio internacional, ele será convocado para abordar temas pontuais de interesse nacional que o Peru saberá reconhecer”. “Sua notável trajetória intelectual (...) constitui uma contribuição significativa para o desenvolvimento e o debate nacional”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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