Eduardo Parra - Europa Press
MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
O chefe superior da Polícia das Canárias, Jesús María Gómez Martín, negou ter recebido dinheiro ou gratificações de pessoas envolvidas na trama “Plus Ultra” durante seu mandato como chefe de polícia do Aeroporto Adolfo Suárez-Madrid Barajas. “Nem 7.000, nem 70.000, nem 700 milhões de euros; ninguém me deu dinheiro”, afirmou.
Durante sua audiência na comissão de inquérito do Senado que investiga irregularidades da SEPI, esse comandante policial reconheceu que, “esporadicamente”, chegou a se encontrar para tomar um café em seu escritório em Barajas com Julio Martínez Martínez, amigo do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero e investigado por seu papel como proprietário da Análisis Relevante.
“Ele tomava um café no escritório”, comentou Gómez Martín, explicando que essa era sua maneira de agir com muitas outras pessoas. “Quando ele ia para a Venezuela, passava pelo escritório; não tenho a sensação de ter dado prioridade a ele; não cometi nenhum comportamento inadequado”, destacou.
O comissário da Polícia reconheceu que foi o presidente da Plus Ultra, Julio Martínez Sola, quem os apresentou, mas reiterou que o contato com seu “homônimo” Julio Martínez Martínez era meramente protocolar. “Não me interessei por suas viagens com Zapatero”, disse ele em resposta às perguntas do senador do PP, José Antonio Monago.
UM CARTÃO DELE E QUATRO VIENTOS
O chefe da Polícia nas Ilhas Canárias minimizou a importância do fato de a UDEF ter encontrado, durante a busca na companhia aérea Plus Ultra, um cartão com seu número de telefone escrito à mão. “Esse cartão deve estar em centenas de milhares de lugares”, observou.
Ele também negou qualquer ligação com o aeroporto de Cuatro Vientos, em Madri, conforme consta no inquérito da ‘Plus Ultra’. “É um aeródromo misto, civil e militar; nós temos nossos helicópteros lá, a DGT também tem os dela; chegam aviões da Venezuela, de Moçambique ou de qualquer outro lugar”, disse ele.
“Nunca estive em Cuatro Vientos; estão atribuindo a mim capacidades que nem mesmo Al Capone tinha na sua época”, continuou Gómez Martín, que insistiu que não tem “nenhuma capacidade de influência” naquele aeródromo.
O comissário reconheceu que conheceu “esporadicamente” o advogado Miguel Palomero, outro dos envolvidos no ‘caso Plus Ultra’, fato que ele relacionou ao fato de Palomero ter sido advogado de Danilo Díazgranados, um empresário venezuelano que foi detido em Barajas por portar um passaporte falso.
ATUAÇÃO PERFEITA NA VIAGEM DE DELCY
Jesús María Gómez Martín separou sua nomeação como chefe superior das Ilhas Canárias de seu papel durante a viagem, em janeiro de 2020, da então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Nesse sentido, ele reiterou — como já havia feito em uma audiência na comissão Koldo do Senado — que Delcy Rodríguez “partiu sem entrar na Espanha”, uma vez que tinha em vigor uma proibição de entrada na União Europeia. “A atuação policial foi perfeita”, enfatizou.
“Não houve processo de recusa de entrada porque não havia necessidade de fazê-lo, pelo que me lembro. Delcy estava ansiosa para partir daqui, mas a tripulação turca havia excedido as horas de voo, por isso ela permaneceu em uma zona de trânsito internacional e partiu sem entrar na Espanha”, comentou.
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