Publicado 21/04/2026 11:12

Ex-alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores critica Starmer por manter a escolha de Mandelson, apesar do risco à reput

Denuncia um clima de pressões e defende não ter compartilhado as informações sobre os antecedentes do ex-embaixador porque eram “confidenciais”

Archivo - Arquivo - Olly Robbins, negociador-chefe do governo britânico para o Brexit
Dominic Lipinski/PA Wire/dpa - Arquivo

MADRID, 21 abr. (EUROPA PRESS) -

O ex-subsecretário de Relações Exteriores britânico Olly Robbins criticou nesta terça-feira a decisão do primeiro-ministro, Keir Starmer, de dar continuidade à polêmica nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, apesar de uma primeira investigação realizada pelo gabinete que revelava possíveis riscos à reputação caso o processo fosse levado adiante.

“Lamento que as (primeiras) investigações, que, pelo que entendi, revelaram graves riscos para a reputação, não tenham influenciado o julgamento do primeiro-ministro”, afirmou Robbins, recentemente demitido no âmbito da polêmica, perante uma comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns.

Robbins tornou-se bode expiatório na semana passada após a enésima polêmica sobre a nomeação de Mandelson como representante da legação britânica nos Estados Unidos, ao se saber que o Ministério das Relações Exteriores deu luz verde à nomeação sem passar pela avaliação de segurança. Posteriormente, Starmer distanciou-se do caso, insistindo que ninguém do governo recebeu a notícia de que Mandelson havia sido reprovado nessa avaliação.

Perante a comissão parlamentar, o ex-alto funcionário afirmou que Starmer deveria ter suspendido o processo de nomeação antes mesmo do início da avaliação de segurança realizada pelo Departamento de Verificação de Segurança Nacional (NSV), que na última semana colocou o primeiro-ministro contra as cordas.

O ex-subsecretário britânico também discordou da posição de Starmer e destacou que não informou sobre a decisão tomada pelo departamento porque, de acordo com o sistema, o processo deveria permanecer “confidencial”. “Não acredito que tivesse a obrigação de fazê-lo. Acredito firmemente que tinha a obrigação de não fazê-lo”, afirmou.

Nesse sentido, ele garantiu que os responsáveis por tomar essa decisão eram pessoas “totalmente profissionais”. “Eles se preocupam profundamente com a segurança nacional. Eles têm uma das funções de segurança mais rigorosas do governo, dada a situação de ataque que estamos vivendo. Confiei no critério deles e os apoiei”, argumentou.

“Se eu começasse a compartilhar esse fardo com outros e dissesse ‘isso é um pouco complicado, mas acho que podemos lidar com isso’, o que estaria fazendo é delegar essa responsabilidade; a responsabilidade, em última instância, recaía sobre mim”, assinalou.

Robbins informou, assim, que não viu a documentação que o departamento estava tratando, embora tenha participado de uma reunião na qual foi informado de que o caso de Mandelson era problemático, apesar de os riscos identificados no relatório não terem relação com seus laços com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Então, ele considerou a possibilidade de solicitar as informações relativas ao relatório. “Isso foi discutido em meu nome com o gabinete do primeiro-ministro, que me informou que eu precisava de uma justificativa de segurança nacional para consultar tal documentação, e isso coincide plenamente com o meu entendimento do sistema”, argumentou.

DENUNCIA UM CLIMA DE PRESSÕES

Da mesma forma, o alto funcionário demitido denunciou um “clima de pressões” e “certo desdém” no processo, alegando que, em Downing Street, havia a expectativa de que Mandelson estivesse nos Estados Unidos “o mais rápido possível” e que não havia interesse na avaliação em si, mas sim em quando se poderia obter a aprovação.

“O primeiro-ministro havia anunciado que Mandelson era seu candidato sem reservas. O governo britânico havia solicitado a aprovação, o processo diplomático formal para que um governo anfitrião aceite um candidato (...) Ele havia recebido acesso ao prédio. Havia recebido acesso a informações de baixa classificação”, relatou.

Ele temia que, se a nomeação fosse revertida, isso pudesse criar tensões com o governo entrante de Donald Trump, indicou o ex-subsecretário. “Embora houvesse um clima de pressão, o departamento seguiu rigorosamente o processo e, francamente, pelo que entendi, fizemos isso apesar de alguns no governo acreditarem que não era um processo que devêssemos seguir”, afirmou.

Seu depoimento ocorre depois que Starmer classificou perante a Câmara dos Comuns como “desconcertante” o fato de funcionários do Ministério das Relações Exteriores terem ocultado tanto dele quanto do então titular da pasta, David Lammy, que o ex-embaixador não havia sido aprovado em uma avaliação de segurança sobre seus antecedentes pessoais, financeiros e profissionais.

Mandelson, ex-ministro para a Irlanda do Norte e também ex-ministro das Finanças durante o mandato de Tony Blair, foi destituído de seu cargo diplomático em setembro de 2025, após a divulgação de inúmeros e-mails que o ligavam a Epstein, e decidiu deixar o Partido Trabalhista no início de fevereiro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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