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MADRID 13 jul. (EUROPA PRESS) -
O ex-subsecretário de Relações Exteriores britânico Olly Robbins entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira contra o primeiro-ministro, Keir Starmer, após sua demissão em meio à polêmica nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, depois que o ex-alto funcionário criticou o fato de Downing Street ter seguido adiante com a nomeação, apesar dos possíveis riscos à reputação sobre os quais as autoridades haviam alertado.
Robbins solicitou uma “revisão judicial” de sua demissão do cargo de secretário permanente do Ministério das Relações Exteriores e de chefe do Serviço Diplomático britânico, informou o sindicato dos funcionários públicos do Reino Unido (FDA) em um comunicado.
“Apresento esta ação com pesar. Isso teria sido desnecessário se o primeiro-ministro simplesmente tivesse pedido desculpas por seu erro e reparado o dano, a angústia e os custos que causou a mim e à minha família”, afirmou o ex-“número dois” do ministério, ressaltando que buscará, na Justiça, que os tribunais determinem que as declarações de Starmer “foram ilegais e irracionais” e “que as anulem”.
Segundo alega a FDA, o próprio “primeiro-ministro” reconheceu que sua decisão de nomear Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos em dezembro de 2024 foi um “erro”. “Ele também deveria admitir que demitir Robbins foi um erro, baseado em um grave mal-entendido sobre o funcionamento do sistema de Habilitação de Segurança Nacional e em uma reação precipitada a uma notícia publicada pela mídia”, sustentou o acusado.
Robbins tornou-se bode expiatório em meio à controvérsia gerada pela nomeação de Mandelson, assunto que, na época, estreitou o cerco em torno de Starmer, que finalmente sucumbiu à pressão em junho e anunciou sua renúncia, que entrará em vigor quando for concluído o processo de sucessão interna no Partido Trabalhista.
Segundo a denúncia do sindicato, “está em jogo uma questão de princípio que afeta todos os membros da FDA”, em referência aos funcionários públicos. “Os valores fundamentais de uma função pública profissional e imparcial são prejudicados se seus funcionários de mais alto escalão puderem ser destituídos por um simples capricho do primeiro-ministro”, criticou.
Nesse sentido, a FDA lamenta que não tenha sido seguido um “procedimento justo”, “nem uma compreensão ponderada da questão de fundo”.
Dessa forma, a FDA ressaltou que Starmer “não tem autoridade legal para destituir o chefe do Serviço Diplomático”, que “não houve qualquer procedimento” para a destituição e que as razões para justificá-la “são irracionais”.
Além disso, sobre o processo de revisão das credenciais de Mandelson para ser embaixador em Washington — a questão de fundo —, a FDA lembra que o ex-alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores era obrigado a não informar o gabinete sobre o processo, dada a confidencialidade do procedimento. “Esse processo é independente do governo e de seus ministros, que são informados apenas do resultado final”, afirmou.
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