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MADRID 16 maio (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou nesta sexta-feira a existência de uma suposta operação impulsionada pelos Estados Unidos e apoiada pelo governo do atual presidente boliviano, Rodrigo Paz, com o objetivo de prendê-lo ou até mesmo matá-lo, em meio à crescente tensão política e social que o país atravessa.
“Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz que executasse uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul dos EUA, para me deter ou me matar”, afirmou Morales em uma mensagem publicada nas redes sociais, onde também acusou autoridades bolivianas e americanas de promover uma campanha de “difamação, insultos e acusações sem provas” contra ele.
O ex-presidente apontou, entre os supostos impulsionadores dessa operação, o ex-ministro do Governo Carlos Sánchez e o vice-ministro da Defesa Social, Ernesto Justiniano, garantindo ainda que militares e agentes estrangeiros estão posicionados na região do Trópico de Cochabamba.
Além disso, Morales afirmou que membros da Inteligência do Exército e agentes antidrogas norte-americanos teriam preparado uma operação para capturá-lo entre sexta-feira e sábado. “Eu digo que me processem, que me prendam, espero que não me matem”, declarou durante seu programa de rádio, segundo a imprensa boliviana.
O líder indígena também rejeitou as acusações do Executivo que o associam a protestos violentos e a supostas ligações com o tráfico de drogas, e afirmou que o governo busca justificar a militarização das zonas onde ele mantém apoio político.
Atualmente, pesa sobre Morales um mandado de prisão por um caso relacionado ao tráfico de pessoas com agravantes, causa pela qual o Ministério Público da Bolívia confirmou nesta terça-feira que solicitará uma pena de 20 anos de prisão para o ex-presidente, no âmbito do processo judicial pela relação que manteve com uma menor de idade na época, durante o final de seu mandato presidencial.
Morales, que se encontra recluso na região cocalera de Chapare, no coração do Trópico de Cochabamba, bem protegido por seus seguidores, não compareceu a nenhuma das intimações das autoridades, às quais vem acusando, desde o mandato do ex-presidente Luis Arce, de terem fabricado um caso contra ele.
PAZ ALERTA PARA AÇÕES JUDICIAIS CONTRA QUEM "DESTRUIR A DEMOCRACIA"
As declarações de Morales ocorrem depois que o governo endureceu seu discurso em relação ao ex-presidente e aos setores mobilizados nas últimas semanas.
Nessa linha, Paz afirmou nesta sexta-feira que aqueles que tentarem “destruir a democracia” deverão responder perante a Justiça. “Aqueles que tentam, desde o passado, destruir esta democracia irão para a prisão, porque o valor da democracia está acima de qualquer interesse pessoal”, afirmou durante a apresentação do Relatório sobre Democracia e Desenvolvimento 2026 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), conforme informou o jornal boliviano ‘El Mundo’.
O presidente defendeu ainda que a Bolívia atravessa um processo democrático “irreversível”. “Goste ou não quem queira desmantelar ou destruir a pátria democrática”, acrescentou.
Paralelamente, o governo intensificou suas acusações contra Morales e o chamado “evismo”. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, atribuiu os protestos e bloqueios registrados no país a “um plano macabro” financiado pelo narcotráfico e voltado para desestabilizar as instituições democráticas, de acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI).
"Essas forças obscuras querem desestabilizar a democracia", insistiu Gálvez, que também responsabilizou Morales pelas mortes registradas durante as mobilizações e advertiu que aqueles que "conspirarem contra a democracia" deverão enfrentar consequências judiciais.
Na Bolívia, os protestos e bloqueios continuam afetando diferentes regiões do país em um cenário de crescente polarização política, marcado pela crise econômica, pela escassez de combustível e pelas disputas internas dentro do governo boliviano.
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